O Diário de Maringá e a Gazeta do Paraná podem ter influenciado a decisão de Ratinho Junior de abandonar Guto Silva

O Diário de Maringá e a Gazeta do Paraná podem ter influenciado a decisão de Ratinho Junior de abandonar Guto Silva

Depois das denúncias de O Diário de Maringá e da Gazeta do Paraná, Guto Silva virou peso e Ratinho Junior mudou de lado

Essa leitura política ganha força quando se observa a sequência dos fatos. Quando a imprensa investiga com persistência, o poder sente a pressão. Foi isso que ocorreu no Paraná. De um lado, Gilmar Ferreira, no O Diário de Maringá. De outro, Marcos Fhormighieri, na Gazeta do Paraná. Enquanto ambos avançavam nas apurações, boa parte da mídia abastecida pela propaganda oficial preferia vender governo, turismo e peças de comunicação institucional.

Os áudios da Sanepar abriram uma crise difícil de conter

O primeiro grande abalo surgiu quando O Diário de Maringá divulgou os áudios que apontavam que pessoas ligadas a Guto Silva estariam pressionando CCs da Sanepar para arrecadar dinheiro e sanar dívidas da campanha de Ratinho Junior ao governo. A partir dali, o tema saiu do bastidor e entrou de vez na arena política.

Na sequência, a Gazeta do Paraná, com o jornalista Marcos Fhormighieri, repercutiu e aprofundou o assunto. Além disso, os deputados Requião Filho e Arilson Chiorato levaram a denúncia ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público Federal. Com isso, a crise deixou de ser apenas jornalística e passou a ter também repercussão institucional.

Depois, o caso ultrapassou o limite regional e alcançou veículos nacionais. Portanto, o desgaste não atingiu apenas Guto Silva. O episódio também começou a respingar no próprio governo de Ratinho Junior.

Gilmar Ferreira e Marcos Fhormighieri mantiveram a pressão

Enquanto a denúncia crescia, os grandes meios de comunicação do Paraná, em sua maioria, mantinham distância do tema. Em vez de repercutir um fato grave, preferiram seguir promovendo ações oficiais, como o Verão Maior e outras vitrines do governo.

No entanto, Gilmar Ferreira e Marcos Fhormighieri não seguiram essa linha. Ao contrário, ambos insistiram nas investigações, ampliaram os questionamentos e mantiveram o assunto vivo. Por isso, o que poderia ter sido abafado ganhou corpo, repercussão e consequência política.

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Esse detalhe importa muito. Quando jornalistas independentes não recuam, a blindagem do poder começa a falhar. E, nesse caso, começou a falhar diante de um acúmulo de denúncias e constrangimentos.

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Marcos Fhormighieri avançou sobre o Olho Vivo

Depois da crise da Sanepar, Marcos Fhormighieri, da Gazeta do Paraná, passou a avançar também sobre a operação Olho Vivo. A investigação trouxe suspeitas graves e levantou a denúncia de que poderia haver algo em torno de R$ 100 milhões em propina no contexto do projeto.

Além disso, a situação chamava ainda mais atenção porque as câmeras já estavam em fase de instalação. Assim, o problema deixou de ser apenas um desgaste político. Ele passou a representar também um enorme desgaste público para um projeto associado ao núcleo do governo.

Na sequência, Gilmar Ferreira, no O Diário de Maringá, também publicou material sobre o tema e ajudou a ampliar o alcance da discussão. Desse modo, duas redações independentes mantiveram sob pressão um programa que parte da grande mídia preferiu tratar com silêncio.

O apresentador Ratinho reagiu contra Marcos Fhormighieri

É importante separar com clareza os personagens. Ratinho Junior é o governador. Ratinho, o pai, é o apresentador de televisão.

Foi justamente o apresentador Ratinho, pai do governador Ratinho Junior, que reagiu de forma agressiva contra o jornalista Marcos Fhormighieri, da Gazeta do Paraná. A ameaça pública mostrou que a apuração havia atingido um ponto sensível. Ninguém perde o controle diante de uma denúncia irrelevante. Ao contrário, reações desse tipo costumam revelar incômodo real com o conteúdo publicado.

Mesmo assim, Marcos Fhormighieri não recuou. Pelo contrário, registrou boletim de ocorrência e transformou a tentativa de intimidação em novo fato político. Como resultado, a pressão cresceu ainda mais sobre o grupo.

Gilmar Ferreira passou a enfrentar o silêncio do poder

Do lado do O Diário de Maringá, o cenário também ficou evidente. Gilmar Ferreira seguiu fazendo o que o jornalismo exige: compareceu a eventos, acompanhou cerimônias, fez perguntas e cobrou respostas.

Entretanto, a resposta de Ratinho Junior e de Guto Silva passou a ser, muitas vezes, o silêncio. Em várias ocasiões, ambos evitaram responder aos questionamentos de Gilmar Ferreira. Além disso, houve momentos em que entrevistas e coletivas perderam o interesse do grupo político quando já se sabia da presença do jornalista do O Diário de Maringá.

Esse comportamento também fala por si. Quem está confortável responde. Quem se sente seguro enfrenta a pergunta. Já quem foge do questionamento mostra, ao menos politicamente, que a pressão surtiu efeito.

Marumbi ampliou ainda mais o desgaste

A apuração não parou na Sanepar nem no Olho Vivo. Nesta segunda-feira, Gilmar Ferreira, do O Diário de Maringá, foi até Marumbi verificar a estrutura da empresa ligada ao apresentador Ratinho, pai do governador Ratinho Junior, que teria recebido R$ 21 milhões do Banco Master.

Segundo a reportagem, o local encontrado levantou ainda mais dúvidas. Não aparecia uma estrutura compatível com a justificativa apresentada. Também não se via movimentação de funcionários em atividade. Além disso, a tese de que se trataria de publicidade como garoto-propaganda ficou ainda mais fragilizada diante dos elementos levantados.

Depois que O Diário de Maringá publicou a matéria, a Gazeta do Paraná, novamente com o jornalista Marcos Fhormighieri, repercutiu o caso. Assim, o desgaste aumentou justamente no momento em que o grupo precisava preservar sua sucessão.

Ratinho Junior abandonou Guto quando o custo ficou alto demais

Ninguém abandona um nome forte sem razão. Da mesma forma, ninguém troca o preferido no meio do caminho sem sentir pressão política. Ratinho Junior abandonou Guto Silva porque o custo de mantê-lo começou a ficar alto demais.

Esse custo não surgiu de um único episódio. Pelo contrário, ele cresceu com os áudios da Sanepar, com a repercussão nacional, com a denúncia de Requião Filho e Arilson Chiorato no Tribunal de Contas e no Ministério Público Federal, com a investigação sobre o Olho Vivo, com a ameaça do apresentador Ratinho contra Marcos Fhormighieri, com o silêncio diante de Gilmar Ferreira e, por fim, com a reportagem de Marumbi.

Portanto, o abandono de Guto Silva não nasceu do nada. Ele surgiu de um acúmulo de desgaste que se tornou pesado demais para ser ignorado.

Quando a imprensa independente trabalha, o poder recalcula

No Paraná, parte da imprensa escolheu se acomodar. Em contrapartida, outra parte decidiu enfrentar os temas incômodos. Foi essa segunda parte que produziu resultado político.

Por isso, este editorial sustenta sem rodeios: O Diário de Maringá e a Gazeta do Paraná podem ter sido decisivos para aumentar o desgaste de Guto Silva e influenciar a decisão de Ratinho Junior de abandonar sua candidatura.

Talvez o Palácio Iguaçu nunca admita isso. Talvez os aliados tentem vender a mudança como simples estratégia. Ainda assim, a política deixa rastros. E os rastros indicam que, quando Gilmar Ferreira e Marcos Fhormighieri mantiveram a pressão, o projeto de Guto Silva começou a afundar.

No fim, a lição é direta. Quando a imprensa independente cumpre seu papel, o poder perde o controle do roteiro.

As matérias de O Diário de Maringá e da Gazeta do Paraná ganharam repercussão nacional na Folha de S.Paulo e no Metrópoles. Veja:

Redação O Diário de Maringá

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