Pra Somar poderia transformar a Expoingá em uma máquina de apoio social em Maringá
Pra Somar na Expoingá precisa entrar no debate público de Maringá. Afinal, o Governo do Paraná anunciou R$ 53 milhões para a construção de um estacionamento no Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro, conforme informação publicada na página oficial do próprio governo estadual.
Diante disso, a pergunta é direta: Maringá não teria outras prioridades mais urgentes para receber um investimento desse tamanho?
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Quem paga a estrutura e quem fica com o resultado?
Hoje, a Sociedade Rural de Maringá, a SRM, ocupa o espaço, organiza a Expoingá, vende ingressos, comercializa áreas, recebe patrocínios e terceiriza serviços. Portanto, a feira movimenta muito dinheiro.
Ao mesmo tempo, o poder público investe milhões na estrutura usada pelo evento. Por isso, a dúvida é inevitável: se o cidadão paga a conta, qual parte desse resultado volta diretamente para ele?
A população sabe quanto a Expoingá arrecada? Além disso, conhece o custo real do evento? Também sabe quais empresas prestam serviço e qual contrapartida social Maringá recebe?
A Pra Somar poderia ser uma alternativa?
A Pra Somar, antigo Provopar, atua com apoio social e mobilização voluntária em Maringá. Ela arrecada alimentos não perecíveis, água, roupas e itens de higiene. Depois, encaminha essas doações a famílias em vulnerabilidade social e instituições assistenciais.
Além disso, a entidade poderia funcionar como um braço importante da administração pública. Com regras claras, prestação de contas e controle, ela poderia ajudar a resolver problemas simples que a Prefeitura demora mais para atender por causa da burocracia.
Por exemplo: faltou algum item de uma licitação e a empresa contratada não entregou? Uma escola municipal precisa de um conserto rápido? Falta ar-condicionado em uma sala de aula? Existe uma necessidade urgente em uma unidade pública?
Nesses casos, a Pra Somar poderia ajudar com mais rapidez, sem substituir a Prefeitura, mas apoiando a cidade onde o poder público demora mais para chegar.
A feira poderia continuar forte
Essa discussão não significa acabar com a Expoingá. Pelo contrário, a feira poderia continuar com shows, estandes, comércio, praça de alimentação, serviços terceirizados e atrações.
A diferença estaria no destino do dinheiro. Em vez de concentrar o resultado econômico em uma entidade privada, parte da arrecadação poderia fortalecer ações sociais em Maringá.
Com isso, a Expoingá poderia ajudar crianças, idosos, famílias pobres, pessoas com deficiência, escolas municipais e instituições que prestam serviços importantes.
R$ 53 milhões para estacionamento exigem explicação
Se há R$ 53 milhões de dinheiro público para um estacionamento em uma área usada pela SRM, também precisa haver transparência sobre quem será beneficiado.
Qual será a contrapartida da SRM? O estacionamento será gratuito ou pago? Quem vai administrar o espaço depois da obra? A arrecadação ficará com quem? O cidadão terá algum retorno direto?
Essas perguntas não atacam ninguém. Apenas cobram lógica, clareza e respeito com o dinheiro público.
Transparência antes dos aplausos
A Expoingá tem importância econômica e histórica para Maringá. No entanto, essa importância não elimina a obrigação de prestar contas.
Quando o dinheiro público entra, a transparência precisa entrar junto.
Portanto, Maringá precisa discutir o modelo atual. O cidadão paga a estrutura. A feira arrecada. Mas quem fica com o resultado?
Talvez tenha chegado a hora de perguntar se a Pra Somar não poderia organizar a Expoingá ou, ao menos, receber parte do resultado financeiro para investir em projetos sociais.
Afinal, se o dinheiro sai do bolso do povo, o benefício precisa voltar para o povo.




