Entre legado e autonomia: livro discute os desafios emocionais da gestão familiar
Autora de artigos e especialista em governança, Karina Kapazi Siqueira transforma os conflitos invisíveis da sucessão em uma travessia humana sobre legado, pertencimento e identidade
Em mais de 20 anos de trajetória na empresa da família, Karina Kapazi Siqueira já atuou como vendedora e hoje ocupa uma das diretorias mais estratégicas da companhia. À frente da área de Gente & Gestão da Kapazi, consolidou sua atuação em temas ligados à governança corporativa, sucessão e desenvolvimento humano — assuntos sensíveis, mas fundamentais para a longevidade das empresas familiares.
É essa vivência, já explorada em artigos, palestras e mentorias, que ela transforma em reflexão no livro Trem. “Escrever Trem foi uma forma de materializar essa reflexão. Mais do que falar sobre sucessão e governança, eu queria abordar os vínculos invisíveis, os silêncios e os desafios emocionais que também fazem parte dessa trajetória”, conta.
No livro, Karina utiliza a metáfora de uma locomotiva em movimento para retratar os desafios invisíveis que atravessam as empresas familiares, como sucessão, pertencimento, identidade, legado, continuidade e transformação. Narrada sob o olhar de uma sucessora que nasceu “dentro do trem”, a obra conduz o leitor por uma travessia humana sobre os vínculos e escolhas que moldam a história das famílias empresárias.
Hoje, empresas familiares representam cerca de 90% dos negócios brasileiros e respondem por cerca de 65% do PIB e 75% dos empregos privados. Ainda assim, apenas 30% chegam à segunda geração e só 12% sobrevivem à terceira geração. Segundo levantamento da PwC, apenas 24% delas possuem um plano sucessório estruturado e documentado.
Para Karina, a longevidade das empresas familiares está diretamente ligada à capacidade de construir processos de governança que conciliem estratégia, profissionalização e desenvolvimento humano. “A sucessão não acontece apenas nos cargos. Ela acontece nas relações, nos vínculos e na forma como cada geração aprende a ocupar o próprio lugar sem romper com a história construída antes dela”, afirma.



