Mais do que equipamentos: investimentos sociais fortalecem equipes e ampliam capacidade de atendimento no SUS

Mais do que equipamentos: investimentos sociais fortalecem equipes e ampliam capacidade de atendimento no SUS


Em dez anos, Hospital Angelina Caron captou mais de R$ 186 milhões por meio de incentivos fiscais. Recursos ajudam a formar especialistas, ampliar serviços e incorporar inovação à saúde pública

Mais de R$ 186 milhões em recursos captados já foram aplicados pelo Hospital Angelina Caron (HAC), na Região Metropolitana de Curitiba, em iniciativas voltadas ao atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Os números que marcam uma década de investimento social foram apresentados nesta quarta-feira (17), durante a sétima edição do SHAC Talk, evento que se consolidou como espaço para troca de experiências e discussões sobre os desafios e oportunidades da saúde pública no Brasil.

Os fundadores da instituição, Pedro e Marco Caron, destacaram que os investimentos vão muito além da aquisição de equipamentos e da modernização da infraestrutura. Eles são fundamentais para garantir que a população tenha acesso a procedimentos de alta complexidade que, muitas vezes, só estão disponíveis em grandes centros do país.

“O Hospital Angelina Caron é um hospital terciário, preparado para atender casos de alta complexidade, como transplantes, neurocirurgias e cirurgias cardíacas. Hoje realizamos entre 100 e 120 cirurgias cardíacas por mês, o que nos coloca entre os maiores hospitais do Brasil nesse segmento. Conseguimos oferecer cerca de 99% dos procedimentos existentes na medicina, e a grande maioria desses atendimentos é destinada a pacientes do SUS”, destacou Pedro Caron.

Pedro ressaltou ainda que a atuação da instituição tem papel estratégico para a saúde pública do Paraná. “Somos um dos principais parceiros da Secretaria de Estado da Saúde e atendemos pacientes de praticamente todos os municípios paranaenses. Sem estruturas como a nossa, muitos casos graves não teriam onde ser tratados.”

Marco reforçou que o apoio de empresas e investidores sociais é essencial para manter a qualidade dos serviços oferecidos. Segundo ele, aproximadamente 90% dos atendimentos realizados pela instituição são destinados a pacientes do SUS.

“Nosso propósito é oferecer medicina de excelência para todos, independentemente da condição financeira. Os recursos captados permitem investir em novos equipamentos, ampliar serviços e qualificar ainda mais o atendimento prestado à população. Sem esse apoio, seria muito mais difícil manter o nível de assistência que conseguimos oferecer hoje”, afirmou.

O diferencial está nas pessoas

Os números foram apresentados por André Vieira, gerente de Investimento Social do HAC. O executivo destacou que espaços de troca e compartilhamento de experiências são fundamentais para fortalecer iniciativas de impacto social e aproximar organizações, investidores e profissionais do setor. “Toda e qualquer oportunidade de inspiração e melhoria, para nós profissionais da área, deve ser bem aproveitada”, disse.

Ao trazer os resultados dos dez anos de investimento social, Vieira ressaltou que o principal legado dos recursos captados não está apenas nos equipamentos adquiridos ou nas obras realizadas, mas na formação de profissionais e na ampliação da capacidade assistencial do hospital.

“Equipamentos são fundamentais, mas não geram resultado sozinhos. O que transforma tecnologia em cuidado são equipes preparadas, especialistas qualificados e uma estrutura capaz de oferecer atendimento integral ao paciente.”

A prestação de contas mostrou que a maior parte dos investimentos realizados ao longo da década teve como foco a formação de equipes e o fortalecimento da capacidade assistencial. Segundo o hospital, cerca de 70% dos recursos foram destinados a pessoas e capacitação, enquanto 30% financiaram tecnologia e infraestrutura.

Ao longo desse período, os investimentos contribuíram para fortalecer mais de 35 especialidades clínicas e assistenciais, além de financiar especialistas, programas de ensino, pesquisa científica e iniciativas de governança clínica.

Os recursos também permitiram avanços em áreas estratégicas como oncologia, pediatria, doenças raras, cirurgia robótica, diagnóstico avançado e programas voltados ao atendimento da população idosa. Além disso, ajudaram a ampliar a capacidade instalada da instituição, incorporar novas tecnologias e formar especialistas que atuam diretamente no atendimento aos pacientes do SUS.

Troca de experiências

Além da prestação de contas dos projetos sociais, o SHAC Talk reuniu representantes de empresas, institutos e organizações que atuam com investimento social privado. Para Isabel Aché Pillar, head do Instituto Ambikira, encontros como o SHAC Talk cumprem um papel importante ao aproximar profissionais que compartilham desafios semelhantes.

“A gente trabalha com desafios em comum. Por isso, espaços de troca, aprendizado e diálogo como esse são essenciais para fortalecer os projetos sociais e gerar impacto de forma mais qualificada”, pontuou. Ela também citou a importância de acompanhar de perto os resultados dos projetos apoiados.

“Uma coisa é receber relatórios e apresentações. Outra é estar aqui, ver a qualidade do trabalho, conhecer as equipes e entender na prática como tudo acontece. Isso aproxima, emociona e fortalece a relação de confiança.”

Jéssica Trevisam, do Instituto Motiva, ressaltou que a prestação de contas permite aos investidores visualizar de forma concreta os resultados alcançados. “Quem apoia uma instituição muitas vezes acompanha tudo à distância. Estar aqui, ver os números, os relatos e a rede de parceiros envolvidos ajuda a tangibilizar a transformação social gerada pelos projetos.”

Já Heloísa Jardim, diretora do BTG Pactual, destacou o potencial de colaboração proporcionado pelo encontro. “O mais interessante é conhecer outros modelos de atuação e refletir sobre como podemos trabalhar de forma mais colaborativa. Quando compartilhamos experiências e nos complementamos, o impacto é muito maior”, afirmou.

Legado para o SUS

Dados apresentados durante o evento reforçam a dimensão da atuação do hospital. Em 2025, o HAC registrou mais de 423 mil atendimentos, realizou 24 mil cirurgias e contabilizou mais de 42 mil internamentos. Ao todo, cerca de 128 mil pacientes passaram pela instituição. Hoje, o hospital é o sexto do Brasil em produção pelo SUS e o primeiro da Região Sul.

Apesar da relevância dos hospitais filantrópicos para a saúde pública brasileira, o subfinanciamento do sistema continua sendo um desafio. Segundo dados apresentados pelo hospital, o repasse do SUS cobre, em média, cerca de 60% dos custos hospitalares, exigindo a busca por fontes complementares de financiamento para garantir qualidade, inovação e acesso à alta complexidade.

Para Vieira, o principal resultado dos investimentos realizados na última década é a capacidade que permanece disponível para a população. “O maior legado não é apenas o patrimônio adquirido pelo hospital. É a capacidade que fica para o SUS: mais profissionais capacitados, mais acesso a serviços especializados, mais inovação e melhores condições de atendimento para quem depende da saúde pública”, concluiu.

Sobre o Hospital Angelina Caron

O Hospital Angelina Caron tem como missão promover saúde com excelência, segurança e gestão eficiente, assegurando atendimento integral, humanizado e qualidade de vida aos seus mais diversos públicos. Localizada ao lado de Curitiba, em Campina Grande do Sul, a instituição é um centro médico-hospitalar de referência no Sul do Brasil. Tem como pilares os mais rigorosos princípios éticos e o compromisso social, além de 43 anos de tradição para oferecer a melhor promoção em saúde e possibilitar a retomada da qualidade de vida. O HAC realiza mais de 400 mil atendimentos por ano em pacientes de todo o país, incluindo particulares e por convênios, sendo um dos maiores parceiros do SUS no estado. É o maior centro transplantador de órgãos sólidos do Paraná, com mais de 3 mil transplantes realizados. A instituição é referência nacional em saúde de alta complexidade, com atuação em todas as vertentes da medicina, incluindo procedimentos de cirurgia robótica. Com investimentos constantes em tecnologia e equipamentos de última geração, também se destaca como um centro tradicional de fomento ao ensino e à pesquisa.

TV Diário

Redação

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