Garoto de recado: Na política, quem vive carregando recados dos outros corre o risco de nunca deixar a própria mensagem
Existe uma diferença entre dialogar com todos e viver fazendo o papel de agente duplo.
Quem age com transparência não precisa esconder posições nem carregar recados de um lado para o outro. Já o agente duplo costuma sobreviver da confiança alheia enquanto trabalha para interesses diferentes ao mesmo tempo.
Ele escuta de um lado, corre para contar ao outro e acredita que está sendo inteligente. Confunde esperteza com caráter e estratégia com lealdade.
Durante algum tempo, até consegue ocupar espaços e circular entre grupos rivais. Porém, existe um problema nesse jogo: quem trai a confiança de um lado dificilmente inspira confiança no outro.
É comum que o agente duplo se apresente como conciliador, articulador ou bem relacionado. Na prática, muitas vezes apenas desempenha o papel de mensageiro de conveniências, adaptando discursos conforme o público e a oportunidade do momento.
A política sempre terá divergências, alianças e mudanças de posição. O que ela não deveria normalizar é a falta de lealdade e a ausência de coerência.
No fim, quem tenta jogar em dois times ao mesmo tempo corre o risco de descobrir que não pertence verdadeiramente a nenhum deles.
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