Carros elétricos crescem no Brasil: o avanço pode baixar o preço do combustível e o que isso significa para o etanol

Carros elétricos crescem no Brasil: o avanço pode baixar o preço do combustível e o que isso significa para o etanol


Carros elétricos crescem no Brasil: o avanço pode baixar o preço do combustível e o que isso significa para o etanol

Vendas de elétricos e híbridos disparam, mas especialistas dizem que ainda não há queda real na demanda por gasolina e etanol; setor sucroalcooleiro já observa o horizonte de 2030 com cautela

Os carros elétricos e híbridos deixaram de ser exceção no trânsito brasileiro. Segundo levantamento da consultoria K. Lume, os emplacamentos desses modelos cresceram 88% no primeiro trimestre de 2026. O número já passa de 95 mil unidades e representa cerca de 15% de todas as vendas de veículos no país. Um ano antes, o crescimento já tinha sido de 63,9% entre 2024 e 2025, puxado por marcas chinesas como BYD e GWM.

Combustível já sente o impacto, mas não na forma de preço menor

A eletrificação já reduz o consumo de combustíveis fósseis, e dá para medir esse efeito. Em 2026, deve tirar cerca de 685 mil metros cúbicos de gasolina equivalente do consumo total. Esse volume deve praticamente dobrar até 2030, chegando a 1,3 bilhão de litros.



Apesar disso, especialistas do setor automotivo mantêm a mesma leitura: a demanda por gasolina e etanol não deve cair de forma absoluta no médio prazo. O consumidor não deve sentir, por enquanto, um efeito direto no preço da bomba só por causa da eletrificação.

O horizonte de 2030 preocupa o setor de etanol

Soren Jensen, ex-diretor de operações da maior trading de açúcar do mundo, conduziu um estudo sobre o tema. A projeção indica que a demanda por etanol no Brasil deve cair de fato a partir de 2030. Nesse cenário, as usinas perderiam a flexibilidade histórica de alternar produção entre açúcar e etanol, o que deixaria os preços mais voláteis no mercado mundial.

O setor já viveu um susto parecido antes. Na recessão de 2015 e 2016, o incentivo à exportação de gasolina derrubou o preço do combustível fóssil, e várias usinas fecharam ou trocaram de dono. Um representante da Unica resumiu o episódio assim: o setor “quase matou a própria galinha dos ovos de ouro”.

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O peso econômico da cadeia é grande. O país conta hoje com 320 usinas, 70 mil produtores rurais e 2,3 milhões de empregos, sendo 800 mil diretos.

O que pode aliviar o setor no curto prazo

O governo aumentou recentemente a mistura obrigatória de etanol na gasolina. A medida deve estimular a demanda pelo biocombustível e, segundo a expectativa oficial, reduzir o preço final da gasolina. Evandro Gussi, presidente da Unica, defendeu a mudança e citou a geração de emprego no interior do país.

A vantagem que ninguém discute: não existe combustível elétrico adulterado

Existe um ponto a favor dos elétricos que dificilmente entra em disputa: ninguém consegue adulterar a energia que abastece o carro. O problema da adulteração é real no Brasil. A ANP fiscalizou 485 postos em 18 estados em novembro de 2025, resultando em 116 autos de infração e a apreensão de mais de 103,9 mil litros de combustível irregular. O Instituto Combustível Legal alertou que o aumento nas misturas obrigatórias, em vigor desde agosto de 2025, tende a ampliar a fraude em regiões com fiscalização mais fraca.

Quem fala a verdade: a placa ou o discurso da cerimônia?

Esse tipo de fraude reduz o desempenho do motor, aumenta o desgaste das peças e eleva a emissão de poluentes. No carro elétrico, esse risco simplesmente não existe.

Um equilíbrio ainda em construção

O crescimento dos elétricos já traz benefícios reais e imediatos ao consumidor. O impacto financeiro mais sério sobre a cadeia do etanol ainda é um risco projetado para o fim da década, não uma realidade de hoje.

Fontes consultadas

  • K. Lume / Terra — emplacamentos de elétricos e híbridos no 1º trimestre de 2026
  • Revista Reparação Automotiva — crescimento de vendas entre 2024 e 2025
  • Portal NMT — vendas de 2025 e projeção de desvio no consumo de combustível
  • Brasilagro — estudo de Soren Jensen sobre demanda por etanol a partir de 2030
  • AutoData — dados estruturais do setor sucroalcooleiro e o episódio de 2015/2016
  • Metrópoles — declaração do presidente da Unica, Evandro Gussi
  • Jornal de Brasília — força-tarefa da ANP de novembro de 2025
  • Click Petróleo e Gás — alerta do Instituto Combustível Legal sobre risco de adulteração
TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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