Ex-filiado ao PCdoB, leiloeiro Fernando Serrano chama eleitores de Lula de “vagabundos” em evento da ACIM
Leiloeiro, que foi cotado para disputar a Prefeitura de Maringá pelo Partido Comunista do Brasil em 2012, teria feito comentários ofensivos durante leilão beneficente. Segundo fonte presente na cerimônia, as declarações causaram constrangimento entre empresários e trabalhadores.
Por Gilmar Ferreira
O leiloeiro Fernando Serrano, que já foi filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e chegou a ser apontado como possível candidato à Prefeitura de Maringá pela legenda, é alvo de relatos sobre supostas declarações ofensivas contra eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O episódio teria ocorrido na quinta-feira (29), durante o Prêmio Jovem Empreendedor ACIM 2026, realizado em Maringá.
Segundo uma fonte presente na cerimônia, Serrano teria utilizado o microfone durante um leilão beneficente para fazer comentários depreciativos sobre pessoas que votaram em Lula.
Entre as expressões atribuídas ao leiloeiro está “esses vagabundos”, supostamente utilizada para se referir a eleitores do presidente.
Ainda conforme a fonte, a manifestação causou constrangimento entre empresários e trabalhadores que participavam da solenidade.
De possível candidato pelo PCdoB a crítico de eleitores de Lula
O histórico político de Fernando Serrano chama a atenção diante dos relatos.
Em setembro de 2011, o leiloeiro colocou seu nome à disposição durante uma convenção municipal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) para uma possível candidatura à Prefeitura de Maringá nas eleições de 2012.
Na época, Serrano, empresário e proprietário da Leilões Serrano, apareceu entre os nomes considerados pela legenda comunista para a disputa municipal.
Portanto, o empresário que hoje é suspeito de dirigir comentários ofensivos a eleitores de Lula já teve participação política em um partido historicamente identificado com a esquerda brasileira.
Leilão beneficente teria dado lugar a comentários políticos
De acordo com a fonte ouvida pelo O Diário de Maringá, o evento transcorria normalmente até o momento em que Fernando Serrano assumiu o microfone para conduzir o leilão beneficente de um jogo de estofados da marca Century.
A atividade tinha como finalidade arrecadar recursos por meio da venda do produto.
Entretanto, conforme o relato, o leiloeiro teria aproveitado a oportunidade para fazer comentários políticos considerados ofensivos por participantes.
Além da expressão “esses vagabundos”, Serrano teria insinuado que pessoas que votaram em Lula seriam pobres ou empregados que estariam agindo contra os interesses dos empresários.
Segundo a fonte presente no evento, as manifestações provocaram constrangimento entre empresários, políticos, autoridades e trabalhadores que acompanhavam a cerimônia.
O relato não esclarece se houve alguma reação pública imediata às supostas declarações.
Trabalhadores teriam se sentido humilhados
Um dos pontos mais delicados do episódio envolve a presença de funcionários das empresas homenageadas.
Segundo a fonte, empresários costumam levar colaboradores ao Prêmio Jovem Empreendedor como forma de reconhecer a participação das equipes nos resultados das empresas.
Nesse contexto, os comentários atribuídos a Fernando Serrano teriam provocado desconforto entre trabalhadores presentes.
Conforme as informações encaminhadas ao jornal, alguns participantes teriam se sentido humilhados e intimidados pelas manifestações.
A fonte considera que as supostas declarações desrespeitaram a diversidade política dos convidados e comprometeram o ambiente de reconhecimento profissional que caracteriza a premiação.
A cerimônia, afinal, reúne empresários e trabalhadores que podem ter diferentes preferências partidárias, mas compartilham atividades e responsabilidades no desenvolvimento econômico de Maringá.
Prefeito Silvio Barros e Ricardo Barros estavam entre os convidados
Conforme informações encaminhadas ao jornal, o evento contou com a presença do presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), identificado como Barbieri, do prefeito Silvio Barros e de Ricardo Barros, além de outros convidados.
Entretanto, não há informações suficientes para afirmar que essas autoridades tenham presenciado as supostas declarações ou tomado conhecimento do episódio durante a cerimônia.
Também não existem elementos apresentados ao jornal que indiquem participação da ACIM, da marca Century ou dos demais convidados nos comentários atribuídos ao leiloeiro.
A responsabilidade pelas manifestações, caso confirmadas, deverá ser analisada a partir das circunstâncias em que ocorreram e da identificação de quem efetivamente as proferiu.
Participantes defendem esclarecimentos sobre o episódio
A fonte que procurou O Diário de Maringá afirma que o episódio provocou indignação entre participantes da cerimônia.
Segundo o relato, algumas pessoas consideram necessário que a ACIM e os organizadores esclareçam o ocorrido.
A preocupação envolve principalmente a utilização de um evento empresarial, destinado a reconhecer o empreendedorismo, para supostas manifestações ofensivas relacionadas às escolhas eleitorais dos participantes.
O episódio também levanta uma questão que ultrapassa as diferenças partidárias.
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Desde quando a escolha de um candidato determina o valor de um trabalhador ou de um empresário?
O voto é secreto, individual e protegido pela Constituição Federal. Além disso, a preferência política de um cidadão não define sua competência profissional, sua honestidade ou sua contribuição para a sociedade.
Empresários e empregados podem defender candidatos diferentes sem que isso comprometa o respeito necessário às relações de trabalho.
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O outro lado
Até a elaboração desta reportagem, O Diário de Maringá não dispunha de manifestações de Fernando Serrano, da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), da marca Century ou dos organizadores sobre o episódio relatado.
A ausência dessas versões não significa que os citados tenham sido procurados e deixado de responder.
O jornal considera necessário ouvir os envolvidos e verificar eventuais registros das declarações atribuídas ao leiloeiro.
A identidade da fonte que encaminhou as informações será preservada, conforme solicitado.
O Diário de Maringá mantém espaço aberto para que Fernando Serrano, a ACIM e os demais citados apresentem suas versões sobre os acontecimentos.



