Escritórios de advocacia disputam espaço nas respostas de IA

Escritórios de advocacia disputam espaço nas respostas de IA


O comportamento do cliente jurídico mudou de forma acelerada nos últimos anos. Uma pesquisa realizada pela Hedgehog Digital e divulgada pela Exame mostra que oito em cada dez brasileiros utilizam ferramentas de inteligência artificial para realizar pesquisas.

Esse comportamento impacta diretamente a forma como clientes procuram advogados: se antes a escolha dependia quase exclusivamente de indicações pessoais e networking tradicional, hoje a decisão passa por consultas digitais e respostas fornecidas por sistemas de IA.

Diante desse cenário, escritórios de advocacia passaram a estruturar sua presença digital para serem reconhecidos por ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT, Gemini e Perplexity. O movimento acompanha o crescimento do GEO (Generative Engine Optimization), estratégia voltada para tornar empresas e profissionais referências dentro das respostas geradas por IA, funcionando como uma solução eficaz para gerar demanda recorrente sem ferir as normas éticas da advocacia.

De acordo com Eduardo Araújo, fundador da DigitaJus, o maior risco para os escritórios de direito hoje é ficar invisível nas buscas feitas por ferramentas de IA. "Quando alguém pergunta para o ChatGPT: ‘Qual advogado para causa trabalhista em BH?’, a IA busca em fontes digitais. Quem tem presença estruturada, com um site institucional bem construído, aparece. Quem não tem, fica invisível. Os escritórios que estão investindo nisso entenderam que o boca a boca migrou para o digital e agora quem recomenda é uma IA", afirma.



Segundo o executivo, o novo desafio da advocacia não é apenas aparecer no Google, mas se tornar uma fonte confiável para os mecanismos de inteligência artificial. "Isso ocorre por meio de conteúdos estratégicos, o que chamamos de SEO e GEO voltado à advocacia, como artigos profundos, páginas de serviço estruturadas e perguntas frequentes bem mapeadas, que alimentam os modelos de linguagem e funcionam como ativos digitais", explica.

"Tráfego pago funciona enquanto você paga. Parou o investimento, parou o resultado. O GEO é diferente; é um ativo digital. Um artigo bem posicionado hoje pode trazer clientes por anos, sem custo adicional. O escritório que combina os dois cresce mais rápido no curto prazo e constrói uma base sólida para o longo prazo", acrescenta Araújo.

A incorporação da inteligência artificial às estratégias de marketing jurídico já é uma realidade. Um levantamento realizado pela OAB em parceria com Trybe, Jusbrasil e ITS Rio mostra que 77% dos profissionais do Direito utilizam IA generativa ao menos uma vez por semana no ambiente de trabalho, e 76% recorrem à tecnologia para elaborar peças processuais.

"Os clientes estão pesquisando diretamente nas IAs, e essas ferramentas respondem com base em quem tem autoridade digital construída. Escritórios que entendem isso estão estruturando sua presença para ranquear não só no Google, mas dentro das respostas do ChatGPT, Gemini e Perplexity. Isso é o GEO, e essa é a próxima fronteira da visibilidade jurídica no Brasil", ressalta o executivo.

Automação e transformação digital do setor

Embora a tecnologia esteja sendo utilizada para automatizar etapas, incluindo a jornada de aquisição de clientes, Araújo avalia que ela não pode comprometer a humanização do atendimento. "O erro mais comum é achar que automação substitui relacionamento. Não substitui, ela potencializa".

"Usamos tecnologia para escalar as etapas de atração e nutrição: conteúdo programado, sequências de e-mail, atendimento inicial via WhatsApp. Isso garante que nenhum lead esfrie por falta de resposta rápida. Mas, nos momentos que realmente importam, a consulta, a proposta, a decisão, o advogado precisa estar presente", reforça.

Para o fundador da DigitaJus, a advocacia brasileira está diante de uma mudança estrutural: "A tecnologia avançou mais nos últimos dois anos do que nas duas décadas anteriores, e o setor jurídico está no meio dessa virada. Durante décadas, o profissional jurídico foi treinado para ser executor: pesquisar jurisprudência, redigir peças, montar argumentos e revisar documentos".

"A IA já faz tudo isso. E faz bem. O que isso significa na prática? Que o advogado pode e deve migrar para uma camada mais estratégica: interpretar, decidir, relacionar, construir autoridade. Quem usa IA com inteligência consegue atender mais clientes, entregar mais resultado e aumentar o faturamento sem aumentar proporcionalmente a carga de trabalho", conclui.

Para saber mais, basta acessar: DigitaJus

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