Rolão ou enrolão? Usa a estrutura do PL, mas ainda não declarou apoio a Moro

Rolão ou enrolão? Usa a estrutura do PL, mas ainda não declarou apoio a Moro


Detentores de mandato que utilizaram a estrutura partidária para chegar ao poder, mas não apoiaram os candidatos oficiais da legenda, poderão enfrentar questionamentos internos; prefeito de Paranacity, José Cláudio Batista, o Rolão, está entre os nomes que precisam esclarecer sua posição

Prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos pelo Partido Liberal poderão enfrentar uma surpresa após as eleições de 2026. A direção partidária terá de avaliar a conduta de filiados que receberam o apoio da legenda nas eleições municipais, mas não demonstraram a mesma fidelidade aos candidatos escolhidos pelo PL para governador, deputado estadual e deputado federal.

Entre os nomes que poderão ser questionados está o prefeito de Paranacity, José Cláudio Batista, conhecido como Rolão. Ele foi eleito pelo PL em 2024, com 45,71% dos votos válidos, conforme os resultados divulgados após a apuração.



Até a publicação deste texto, O Diário de Maringá não havia localizado uma manifestação pública clara de Rolão em apoio à candidatura de Sergio Moro ao Governo do Paraná. Também não há, entre as informações disponíveis à reportagem, uma declaração do prefeito explicando qual posição adotará na disputa estadual.

O espaço permanece aberto para sua manifestação.

Partido não pode servir apenas durante a eleição municipal

A questão vai além de Rolão. Vereadores, vice-prefeitos e prefeitos utilizam a estrutura partidária para disputar eleições. Recebem legenda, apoio político, tempo de propaganda, estrutura jurídica e, em determinados casos, recursos públicos administrados pelo partido.

Depois de eleitos, alguns passam a tratar o apoio eleitoral como mercadoria política. Conversam com diferentes grupos, avaliam conveniências locais e escolhem o candidato que lhes oferece maior vantagem política. Na prática, comportam-se como se a fidelidade partidária valesse apenas até a abertura das urnas.

É legítimo que um político tenha divergências internas. Também é possível discordar de uma candidatura escolhida pela direção. Nesse caso, porém, precisa assumir publicamente sua posição e aceitar as consequências partidárias. O que não parece razoável é usar a sigla para chegar ao poder e, depois, ignorar os candidatos do próprio partido.

Partido político não pode funcionar como simples cartório eleitoral ou departamento financeiro para a campanha.

Apoio político não deveria virar leilão

A falta de posicionamento público alimenta uma pergunta inevitável: alguns mandatários aguardam qual candidato oferecerá maior vantagem antes de declarar apoio?

Sem documentos ou provas, não se pode afirmar que exista negociação de benefícios em troca de apoio. No entanto, o silêncio prolongado de políticos eleitos por uma legenda, enquanto candidatos de outros partidos disputam seus palanques, abre espaço para esse questionamento.

O eleitor precisa saber se o prefeito, o vice-prefeito ou o vereador acredita no programa partidário ou se apenas utilizou a sigla como caminho para conquistar o mandato.

Quem recebeu apoio do PL nas eleições municipais precisa explicar por que não apoia, se esse for o caso, os candidatos escolhidos pelo mesmo partido nas eleições estaduais. Fidelidade não pode ser exigida apenas dos filiados que ainda precisam da legenda.

Prestadores cobram pagamentos, e prefeita de Colorado precisa explicar situação

Possíveis consequências são partidárias

Eventuais punições dependem do estatuto, das resoluções internas, da abertura de procedimento disciplinar e da garantia do direito de defesa. Portanto, não é correto afirmar antecipadamente que Rolão ou qualquer outro filiado será expulso.

Também é necessário separar expulsão partidária de perda do mandato. Prefeitos e vice-prefeitos são eleitos pelo sistema majoritário. A eventual saída ou expulsão da legenda não provoca automaticamente a perda desses cargos. A jurisprudência distingue os mandatos majoritários dos proporcionais.

O Tribunal Superior Eleitoral informa que a perda do cargo por desfiliação sem justa causa está vinculada às regras de fidelidade aplicáveis aos mandatos proporcionais. Mesmo nesses casos, qualquer consequência depende de procedimento próprio e decisão da Justiça Eleitoral.

A cobrança política e disciplinar, contudo, permanece. O PL tem o direito de avaliar se seus filiados respeitaram as decisões partidárias. Rolão e os demais mandatários também têm o direito de explicar suas posições.

Moro é “traíra”? E Ratinho Junior é robalo, bagre ensaboado ou tubarão?

Depois das eleições, o partido deverá decidir se a fidelidade é uma regra efetiva ou apenas uma exigência usada conforme a conveniência. Em Paranacity, a primeira resposta precisa vir do prefeito: Rolão apoia Sergio Moro e os candidatos do PL ou seguirá outro caminho?

Imagem da Manchete: Rolão com o CC do Governo Ratinho JP

TV Diário
Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

Notícias de Maringá e região em primeira mão com responsabilidade e ética

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *