OnilX no Maringá Post: independência da imprensa exige responsabilidade com o leitor
Relato de publicidade nesta quarta-feira (30) levanta uma cobrança sobre os critérios dos veículos diante de denúncias de investidores e alertas da CVM.
Por Gilmar Ferreira
O site Maringá Post exibia publicidade da OnilX na manhã desta quarta-feira, 30 de setembro. A informação exige esclarecimento do portal, sobretudo diante das denúncias de investidores que afirmam não conseguir recuperar o dinheiro aplicado na empresa.
Em reportagem publicada em 24 de setembro, o Metrópoles informou que a OnilX responde a mais de uma centena de processos em diferentes estados. Conforme o levantamento, investidores relatam dificuldades para resgatar valores e suspeitam de um esquema de pirâmide financeira. Essas suspeitas não equivalem a uma condenação criminal.
É nesse contexto que cobro uma explicação sobre a publicidade relatada no Maringá Post. A presença de uma marca em um veículo jornalístico pode transmitir confiança ao leitor. Por isso, os critérios comerciais também merecem escrutínio.
O alerta da CVM e os limites da restrição
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgou, em 14 de janeiro de 2026, um alerta sobre a atuação do grupo Onil ou OnilX. Por meio do Ato Declaratório nº 24.680, determinou a suspensão imediata de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários. A autarquia apontou indícios de atuação sem a autorização necessária.
Há, porém, uma atualização que precisa constar desta discussão. Em comunicado de 17 de abril, a CVM informou que ajustou o alcance da medida. A restrição não proíbe a intermediação de criptoativos que não constituam valores mobiliários. A autarquia ressalvou operações associadas a contratos de investimento coletivo, promessa de retorno ou outros elementos sujeitos à sua competência.
Portanto, seria incorreto afirmar que a CVM proibiu todas as atividades da OnilX. Também seria incorreto ignorar as denúncias de clientes e os processos relatados pela imprensa.
A publicidade também merece explicação
Defendo a independência dos veículos de comunicação. Essa autonomia, entretanto, exige compromisso com as pessoas que leem suas notícias e encontram anúncios em suas páginas.
Um anúncio não representa, automaticamente, uma recomendação editorial. Ainda assim, sua presença em um portal de notícias pode emprestar à empresa parte da credibilidade construída pelo jornalismo.
Na minha avaliação, relatos de clientes sem acesso ao próprio dinheiro justificam uma revisão cuidadosa da publicidade. O veículo precisa considerar o que divulga, quais promessas o anúncio apresenta e para onde encaminha o leitor.
No caso do Maringá Post, ainda falta esclarecer a origem da peça mencionada. Não há confirmação, nesta apuração, de contratação direta, pagamento atual, distribuição por uma plataforma de publicidade ou permanência de material antigo.
Também não há elementos para afirmar que a direção do portal conhecia as denúncias e decidiu manter o anúncio mesmo assim. Essa conclusão depende de apuração, não da inclusão da palavra “supostamente”.
Se houve uma falha técnica ou a permanência involuntária de uma campanha antiga, o portal pode esclarecer o episódio e corrigir a exibição. Se houve uma decisão comercial de continuidade, considero necessário explicar ao público os critérios adotados.
A OnilX possui unidades e atuação em Maringá (PR), como a MGA Capital e a Nexseed, mas tem enfrentado forte repercussão negativa, reclamações de investidores e disputas judiciais recentes por atrasos e dificuldades no resgate de valores aplicados.
Situação Atual e Controvérsias
- Disputas Judiciais: A Justiça do Paraná autorizou ordens de bloqueio e busca de valores em contas ligadas à empresa (cerca de R$ 1,87 milhão), mas as contas consultadas via Sisbajud estavam sem saldo disponível.
- Mudança de Foco: A OnilX anunciou que encerraria o atendimento a investidores pessoas físicas, prometendo um ressarcimento escalonado, embora clientes sigam relatando problemas de saque.
- Alerta da CVM: A Comissão de Valores Mobiliários emitiu alertas apontando indícios de oferta irregular de valores mobiliários pelo grupo sem a autorização exigida, embora a empresa declare operar regularmente na custódia e intermediação de criptoativos.
- MGA Capital investe no Maringá Futebol Clube
Endereços em Maringá
- MGA Capital: Tv. Japurá, 175 – 2º Andar – Zona 08, Maringá – PR.
- Onil Corporate: Av. Pedro Taques, 294 – Torre Norte, 14º andar, sala 1407 (Empresarial Atrium).
A posição da OnilX
Em texto publicado em seu próprio site, a OnilX afirma que atua na compra, venda, troca, intermediação e custódia de ativos virtuais. A empresa declara que não oferece gestão de carteira, não promete rentabilidade fixa e não realiza oferta pública de contratos de investimento. Esse posicionamento trata de sua atuação regulatória.
Ele não esclarece, por si só, os relatos de investidores sobre dificuldades de resgate apresentados na reportagem do Metrópoles.
Esta versão não contém manifestação específica do Maringá Post sobre o anúncio relatado nesta manhã, nem resposta da OnilX sobre essa publicidade. Não há registro de contato com ambos nesta apuração.
Espero que a exibição mencionada tenha uma explicação objetiva, inclusive a possibilidade de um erro no site. O ponto concreto permanece: diante das denúncias de investidores, o anúncio atribuído ao Maringá Post precisa de esclarecimento sobre sua origem e sua permanência.



