Marumbi ganhou uma empresa de Ratinho ou entrou numa trama que cheira a arapuca?

Marumbi ganhou uma empresa de Ratinho ou entrou numa trama que cheira a arapuca?


A empresa de Ratinho em Marumbi precisa de explicação séria, documentada e convincente. Eu, Gilmar Ferreira, fui até o endereço informado nos documentos, na Avenida Tiradentes, 1030, e o que encontrei no local não combina, ao menos em aparência, com a versão oficial celebrada pela prefeitura. Em vez de uma estrutura compatível com uma empresa ligada a uma operação de R$ 21 milhões com o Banco Master, vi móveis, vitrine e cabides de roupas. Não identifiquei equipe em atividade. Também não observei rotina administrativa aparente nem mobiliário empresarial compatível com esse porte.

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O endereço oficial e a realidade encontrada

No papel, a sede existe. Entretanto, a realidade vista no local abre uma sequência de perguntas incômodas. Ao questionar de quem era a estrutura onde, em tese, deveria funcionar a empresa ligada a Ratinho, ouvi mais de uma vez a mesma resposta: ali funcionaria a confecção infantil La Baby.

Além disso, relatos colhidos na cidade indicaram que a marca seria ligada ao filho do contador de Ratinho. Moradores também apontaram que, nos fundos, haveria uma residência atribuída à ex-mulher desse mesmo contador. Esse conjunto de informações não prova, por si só, vínculo societário ou irregularidade. Ainda assim, muda o peso da história, porque o endereço que deveria revelar atividade empresarial robusta passou a sugerir outro tipo de uso.

Em outras palavras, a estrutura visualmente associada ao local não se parece, ao menos à primeira vista, com uma empresa montada para sustentar uma operação milionária. Ao contrário, o cenário remete a outra atividade, outro funcionamento e outra lógica comercial.

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Se a operação era milionária, por que a sede parecia outra empresa?

Esse é o ponto central da reportagem. Se a empresa realmente operava com robustez, por que o endereço indicado não exibia sinais mínimos dessa estrutura? Por que o imóvel lembrava uma confecção infantil? E, mais do que isso, por que a prefeitura preferiu agradecer antes de esclarecer?

A prefeita de Marumbi, em resposta ao meu requerimento, ainda elogiou Ratinho por escolher a cidade para realizar essa operação. No entanto, antes do elogio, caberia uma medida elementar: conferir. Da mesma forma, seria necessário responder à população por que o município aparece vinculado a uma empresa que, em seu endereço oficial, não demonstra com clareza a atividade que justificaria a arrecadação anunciada.

Os documentos mostram imposto, mas também revelam atraso

Os documentos enviados pela Prefeitura de Marumbi não são irrelevantes. Eles registram 45 lançamentos e apontam um valor principal de R$ 434.331,56. Além disso, o material menciona juros e multa. Portanto, há um dado objetivo: o imposto não foi recolhido integralmente em dia.

Esse detalhe pesa ainda mais quando se observa a coincidência matemática. Se uma operação de R$ 21 milhões sofreu incidência de 2%, o imposto chegaria a R$ 420 mil. O valor fica muito próximo dos R$ 434,3 mil lançados como principal no relatório municipal. Evidentemente, essa coincidência não resolve tudo sozinha. Mesmo assim, ela também não permite tratar o caso como algo banal ou irrelevante.

Onde estão os outros clientes dessa empresa?

A partir daí surge outra pergunta séria. Até agora, os documentos enviados pela Prefeitura de Marumbi não evidenciam outro cliente atendido por essa empresa. O material não mostra carteira ampla, não revela outras operações de porte semelhante e tampouco apresenta, nesse conjunto, sinal claro de atividade diversificada.

Por isso, a documentação reforça uma suspeita legítima que precisa ser enfrentada publicamente: a empresa pode ter sido aberta, ao menos em tese, para concentrar justamente esse montante milionário ligado ao Banco Master. Se não aparece outro cliente, se o endereço não exibe atividade compatível e se a arrecadação coincide com a ordem de grandeza da operação conhecida, então o caso deixa de ser apenas tributário. Passa, portanto, a ser tema de evidente interesse público.

Marumbi recebeu atividade econômica real ou apenas passagem fiscal?

Depois da visita ao local, essa dúvida ganhou ainda mais força. Houve geração concreta de empregos? A cidade recebeu circulação real de riqueza? Os números indicam atividade econômica compatível com a operação? Ou o município serviu apenas como base formal para emissão de notas e recolhimento tributário?

Além disso, outra questão continua em aberto. O dinheiro dessa operação passou por alguma agência bancária de Marumbi? Circulou efetivamente na cidade? Produziu impacto econômico local? Ou apenas tocou o município no papel e, em seguida, seguiu para outra praça? Sem essas respostas, o discurso oficial de benefício ao município continua incompleto.

A especulação local sobre a La Baby exige esclarecimento

Em Marumbi, há quem acredite que Ratinho possa ter algum vínculo com a La Baby. Até aqui, porém, isso permanece no campo da especulação local e exige prova concreta. Ainda assim, já existem elementos suficientes para exigir transparência.

Há um endereço oficial vinculado à empresa. Também houve visita presencial ao local. A estrutura observada não aparenta compatibilidade com a dimensão da operação. Soma-se a isso uma trilha tributária com juros e multa, além de uma movimentação milionária que pede esclarecimento público.

Por essa razão, a pergunta principal não é apenas se Marumbi arrecadou. O ponto decisivo é outro: a cidade ganhou uma empresa de verdade ou apenas um endereço fiscal usado para dar aparência formal a uma operação milionária com o Banco Master?

Silêncio, pressão e uma resposta ainda ausente

Neste momento, em Marumbi, há uma operação para silenciar quem sabe, de fato, o que verdadeiramente aconteceu com essa empresa na cidade. Enquanto a resposta não vier de forma clara, documentada e convincente, toda comemoração oficial continuará parecendo apressada.

No fim, a questão que permanece é simples e incômoda ao mesmo tempo. Marumbi entrou no mapa de um investimento real ou apenas no roteiro fiscal de uma operação milionária?

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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