Governador fortalecido na fazenda, povo esquecido na cidade: que prefeitos são esses?

Governador fortalecido na fazenda, povo esquecido na cidade: que prefeitos são esses?


Dia 25 de abril de 2026 poderá ser lembrado como o dia dos “puxa-sacos”

A pelada do Ratinho com prefeitos do Paraná deixou uma pergunta incômoda: quem saiu ganhando no sábado político da Fazenda Ubatuba? Pelo que se viu, teve comida, foto, bajulação e muito encantamento com o poder econômico e midiático da família Massa. Porém, faltou o principal: cobrança pública, firme e republicana.

Prefeitos que deveriam defender suas cidades agiram, em muitos casos, como tietes de artista. Posaram, sorriram e tentaram mostrar aos seus municípios uma suposta proximidade com o apresentador de televisão e pai do governador. Entretanto, proximidade com poder não tapa buraco, não paga servidor, não reduz pedágio e não entrega hospital funcionando.

Enquanto a bola rolava, ninguém parecia interessado em perguntar sobre a queda de arrecadação dos municípios. Além disso, nenhum prefeito cobrou, de forma pública, a reposição dos recursos perdidos. Também não se ouviu cobrança dura sobre promessas de dinheiro que ainda não chegaram às cidades.



O Paraná real ficou fora da fotografia

A duplicação da PR-317, entre Maringá e Iguaraçu, segue como símbolo de atraso e desgaste político. O viaduto de Iguaraçu, por exemplo, continua exigindo explicações. Mesmo assim, na festa política da Fazenda Ubatuba, a cobrança aparentemente não entrou em campo.

O pedágio também voltou caro para o bolso do paranaense. O governo comemora leilões, contratos e promessas de investimento. Contudo, a pergunta que interessa ao povo é simples: quanto isso pesa na vida de quem trabalha, transporta, produz e viaja?

Na saúde, a situação exige respostas ainda mais duras. Denúncias sobre o Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, expuseram um cenário revoltante, com relato de rato maior que gato dentro da unidade. Um governo que vende propaganda de eficiência precisa explicar como uma situação dessas aparece em hospital público estadual.

Em Brasília

Servidores, comércio e municípios esquecidos

Também faltou pergunta sobre professores e servidores públicos. Quando o servidor perde poder de compra, o comércio local sente. Portanto, salário defasado não atinge apenas uma categoria. Ele reduz consumo, enfraquece a economia municipal e afeta pequenos empresários.

Outro silêncio constrangedor envolve denúncias sobre terceirizações na saúde. Empresas contratadas com dinheiro público precisam enfrentar fiscalização rigorosa. Se há suspeitas de laranjas, favorecimentos ou parcerias financeiras indevidas, cabe investigação séria, com documentos, Ministério Público, Tribunal de Contas e transparência integral.

O problema do Paraná são os ratos? Denúncia de rato maior que gato no Hospital Regional do Litoral cobra explicações de Ratinho Junior

A imprensa presente também merece questionamento. Quando só entra quem diz amém, a coletiva vira cenário. Além disso, quando empresas ligadas ao grupo familiar do governador recebem dinheiro público em publicidade e ajudam a construir narrativa favorável ao governo, o debate público perde oxigênio.

Foto com poder não resolve buraco

O sábado na Fazenda Ubatuba pode ter fortalecido Ratinho entre aliados. Porém, para o cidadão comum, deixou uma imagem preocupante: muita reverência ao poder e pouca cobrança pelo dinheiro público.

Enquanto prefeitos posavam para fotos, cidades seguiam com buracos, obras atrasadas e promessas não cumpridas. Além disso, servidores, professores e comerciantes continuavam esperando respostas concretas.

No fim, a pelada teve bola, comida e plateia política. Ainda assim, se a omissão continuar, quem pode acabar pelado, nu e com a mão no bolso é o povo paranaense

Os prefeitos que dizem não apoiar a corrupção deixaram a máscara cair e fingiram não saber nada sobre o suposto caixa dois do governador, o programa Olho Vivo e o alegado envolvimento da família do governador com o Banco Master.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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