Será que o sonho político de Ratinho Junior encontrará seu final feliz na Ilha da Fantasia?

Será que o sonho político de Ratinho Junior encontrará seu final feliz na Ilha da Fantasia?


Fazenda Ubatuba, Banco Master e a Ilha da Fantasia do poder no Paraná

A Fazenda Ubatuba, em Apucarana, parece ter virado uma espécie de Ilha da Fantasia da política paranaense. Ali, entre futebol, churrasco, prefeitos, deputados, empresários e parte da imprensa, o Paraná das fotos parece perfeito. Porém, fora do gramado privado, a vida real cobra outra conta.

Na série antiga, A Ilha da Fantasia levava convidados a uma ilha onde todos os desejos pareciam possíveis. A produção passou na televisão dos Estados Unidos entre 1977 e 1984. No Brasil, a Rede Globo estreou a série no fim de 1978 e manteve a exibição até 1986. Depois, a extinta TV Manchete também exibiu o programa a partir de 1987.

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Na versão paranaense, o roteiro também reúne cenário bonito, convidados selecionados e clima de celebração. Porém, existe uma diferença essencial: quem paga a conta política dessa encenação não vive no paraíso. Vive nas cidades com obras que não terminam, servidores com salários defasados, segurança precária, promessas descumpridas e suspeitas que ainda exigem explicação.

Segundo reportagens, a Fazenda Ubatuba já recebeu encontros com mais de 200 prefeitos, lideranças políticas e nomes da base governista. Além disso, o espaço também virou palco para projetar candidaturas, reforçar alianças e vender a imagem de um governo forte, unido e sem rachaduras.

O Paraná da propaganda não é o Paraná da calçada

Na propaganda oficial, tudo anda. Tudo melhora. Tudo vira entrega. No entanto, o cidadão comum conhece outro Paraná. Ele conhece o buraco na rua, a obra anunciada antes de ficar pronta, a fila no atendimento público e a insegurança que a propaganda não mostra.

Por isso, a comparação com A Ilha da Fantasia faz sentido. Na fazenda, o ambiente parece controlado. Todos sorriem. Todos posam. Muitos aparecem no mesmo time. Entretanto, o Paraná real não cabe numa foto de churrasco.

Enquanto poucos entram na festa, milhões enfrentam a rotina dura. Justamente por isso, a distância entre a imagem vendida e a realidade vivida precisa entrar no debate público.

Banco Master, Marumbi e a empresa que precisa de explicação

A fantasia fica ainda mais incômoda quando o caso Banco Master entra no roteiro. Segundo reportagens, empresas ligadas ao apresentador Ratinho, pai do governador Ratinho Junior, receberam R$ 24 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. Desse total, cerca de R$ 21 milhões teriam seguido para a Massa Intermediação. A assessoria do Grupo Massa nega irregularidades.

O caso ganhou contorno ainda mais sensível no Paraná por causa de Marumbi. Reportagem de O Diário de Maringá apontou dúvidas sobre a estrutura real, a atividade econômica e o endereço da empresa ligada a Ratinho no município. No local indicado, segundo a apuração, não haveria aparência compatível com uma operação milionária dessa dimensão.

Diante disso, a pergunta surge naturalmente: Marumbi recebeu uma empresa de verdade ou apenas serviu como endereço fiscal para uma operação milionária ligada ao Banco Master?

Essa dúvida não representa condenação. Porém, exige resposta pública, documentada e convincente. Afinal, quando uma empresa ligada à família do governador aparece em uma operação milionária com um banco envolvido em controvérsias nacionais, o silêncio não ajuda. Ao contrário, amplia a desconfiança.

A fantasia tem convidados; a realidade tem pagadores

O problema não está apenas no churrasco. O problema está no símbolo. Quando o poder reúne políticos, empresários e imprensa em ambiente privado, enquanto vende ao Paraná a imagem de um estado perfeito, a sociedade tem o direito de perguntar quem entra na festa e quem fica do lado de fora pagando a conta.

Na Ilha da Fantasia da televisão, cada episódio terminava com uma lição. Já na política paranaense, a lição também parece clara: foto com Ratinho Junior é fácil. Difícil é tirar foto ao lado de obra concluída, hospital funcionando, estrada sem buraco, servidor valorizado e governo sem suspeita mal explicada.

O Paraná real não vive de cenário. Vive de entrega. Portanto, até que as perguntas sobre Banco Master, Marumbi, promessas não cumpridas e uso político da máquina tenham respostas claras, a Fazenda Ubatuba continuará parecendo menos uma confraternização e mais um palco cuidadosamente montado para sustentar a fantasia do poder.

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Redação O Diário de Maringá

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