Professores levaram um “balão” da gestão Geny Violatto? Enquanto o piso não chega, a Prefeitura banca show de até R$ 128 mil
Poucos dias depois de informar à Câmara Municipal que gastou mais do que arrecadou, a Prefeitura de Santo Inácio realizou uma das principais atrações do São João 2026.
A gestão da prefeita Geny Violatto contratou a dupla Pedro Sanchez e Thiago por até R$ 128 mil, conforme a Inexigibilidade nº 10/2026.
Ao mesmo tempo, professores da rede municipal afirmam que ainda não receberam o novo piso salarial nacional do magistério.
Requião Filho denuncia uso da estrutura do Estado para favorecer pré-candidato de Ratinho Jr
Por isso, moradores passaram a discutir quais são as prioridades da administração municipal.
Contas fecharam no vermelho
Os dados apresentados pela própria Prefeitura mostram que, no primeiro quadrimestre de 2026, o município arrecadou R$ 20.021.540,80.
No mesmo período, as despesas somaram R$ 20.311.010,33.
Assim, o resultado foi um déficit de R$ 289.469,53.
Mesmo diante desse cenário, a administração autorizou a contratação de um show por até R$ 128 mil.
Além disso, esse contrato representa aproximadamente 44% de todo o déficit registrado no quadrimestre.
Show custou mais de R$ 42 mil por hora
A apresentação durou cerca de três horas.
Dessa forma, o custo máximo previsto ultrapassou R$ 42,6 mil por hora.
Consequentemente, muitos moradores passaram a questionar se esse investimento era prioridade naquele momento.
Além disso, parte da população quer saber quanto custou toda a estrutura da festa, incluindo palco, som, iluminação, segurança e demais serviços.
Novo piso vale desde janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.437/2026, que fixou o piso salarial nacional dos profissionais do magistério público da educação básica em R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais.
A lei foi sancionada em 18 de junho de 2026 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte.
Entretanto, o próprio texto da lei determina que os efeitos financeiros retroagem a 1º de janeiro de 2026.
Na prática, isso significa que, caso o município esteja obrigado a aplicar o novo piso e ainda não tenha efetuado o pagamento, os professores poderão cobrar as diferenças salariais desde janeiro.
Professores vão recorrer à Justiça
Segundo informações obtidas pela reportagem, professores da rede municipal decidiram ingressar na Justiça para cobrar o pagamento do piso.
Caso a Justiça reconheça esse direito, a Prefeitura poderá pagar:
- diferenças salariais acumuladas;
- correção monetária;
- juros;
- reflexos nas férias;
- reflexos no 13º salário;
- outras verbas previstas na legislação.
Além disso, se vários profissionais ingressarem com ações, o impacto financeiro poderá superar o valor gasto com o show.
Déficit poderá aumentar
Especialistas em direito público explicam que ações desse tipo são movidas contra o município.
Por isso, uma eventual condenação será paga com recursos públicos.
Além do pagamento das diferenças salariais, o município poderá arcar com juros, atualização monetária e honorários processuais.
Consequentemente, o déficit poderá aumentar ainda mais.
Educação foi chamada de prioridade
Durante a festa, a prefeita afirmou que a educação é uma das prioridades da administração.
No entanto, parte do público reagiu com vaias, conforme registros feitos durante o evento.
Assim, muitos moradores afirmaram que o discurso não combina com a situação enfrentada pelos professores.
População cobra outras prioridades
Além da valorização dos profissionais da educação, moradores também pedem investimentos em áreas consideradas essenciais.
Entre elas estão:
- recuperação das ruas;
- melhorias na saúde pública;
- valorização dos servidores;
- manutenção dos serviços municipais.
Por isso, muitas pessoas questionam se era o momento adequado para investir até R$ 128 mil em uma única apresentação artística.
Câmara também sofre pressão
O episódio também aumentou a cobrança sobre a Câmara Municipal.
Afinal, cabe aos vereadores fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.
No entanto, moradores questionam se essa fiscalização ocorre de fato.
Isso porque parte dos vereadores teria parentes ocupando cargos de confiança na gestão da prefeita Geny Violatto.
Por isso, a população cobra mais independência do Legislativo.
Para alguns moradores, vereadores que deveriam fiscalizar a Prefeitura acabam adotando uma postura de alinhamento com a administração.
Além disso, há críticas de que, em vez de cobrar explicações mais duras, alguns parlamentares preferem enviar ofícios com elogios à prefeita.
Diante desse cenário, a Câmara também precisa responder a perguntas importantes:
- Qual foi o valor efetivamente pago pelo show?
- Quanto custou toda a festa?
- Quanto foi gasto com palco, iluminação, som, segurança e estrutura?
- Por que contratar um show de até R$ 128 mil em um período de déficit?
- Quando a Prefeitura pagará o piso dos professores?
- Qual será o impacto financeiro caso a Justiça determine o pagamento retroativo?
- Quais vereadores têm parentes nomeados em cargos de confiança na Prefeitura?
- Essa relação compromete a fiscalização da gestão municipal?
- A Câmara vai abrir algum procedimento para apurar os gastos da festa?
Debate vai além da festa
A discussão não é sobre realizar ou não eventos populares.
Pelo contrário, festas tradicionais movimentam a economia local, geram empregos temporários e fortalecem a cultura.
Entretanto, parte da população defende que a Prefeitura deveria resolver primeiro as demandas consideradas mais urgentes.
Discussão continua
Segundo pessoas que participaram da festa e conversaram com a reportagem, o evento teve clima semelhante ao de um ato político em favor do deputado estadual Adriano José, embora ele não estivesse presente.
Enquanto isso, professores organizam ações judiciais para cobrar um direito que, segundo a legislação federal, produz efeitos financeiros desde 1º de janeiro de 2026.
O show terminou.
O palco foi desmontado.
As luzes se apagaram.
Entretanto, o debate sobre as prioridades da gestão Geny Violatto, a aplicação dos recursos públicos e a valorização dos professores continua e deve permanecer no centro das discussões em Santo Inácio.




