Ratinho Junior pode transformar prefeitos rebeldes em cabos eleitorais da oposição
Punir prefeitos e deputados por apoiar outro candidato ao governo do Paraná pode custar ao PSD mais do que disciplina interna.
Circula nos bastidores da política paranaense a informação de que prefeitos, deputados e outras lideranças do PSD poderiam ser punidos caso apoiem um candidato diferente daquele escolhido pelo grupo do governador Ratinho Junior para a sucessão estadual.
Até agora, porém, o governador não confirmou publicamente essa orientação. O ponto precisa ficar claro: relato de bastidor não é decisão oficial.
Ainda assim, a hipótese merece atenção, já que impor unidade pela ameaça costuma produzir o efeito contrário.
Punir resolve pouco na prática
Partidos têm regras e podem cobrar disciplina de seus filiados. Um prefeito, deputado ou dirigente que trabalhe abertamente contra a candidatura oficial da legenda pode responder a processo interno, sofrer suspensão e, em casos mais graves, ser expulso, conforme o estatuto partidário.
Fica então a dúvida: o que o PSD ganharia ao expulsar lideranças que já resistem ao projeto governista?
Do ponto de vista jurídico, a expulsão não resolve o problema. Prefeito expulso não perde a prefeitura. Deputado expulso também não entrega o mandato ao partido. Assim, continuam nos cargos, mantêm suas estruturas e preservam a influência conquistada nas urnas. Deixam de ter, apenas, compromisso com a legenda.
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Enquanto seguem filiados, essas lideranças ainda pesam palavras e evitam confronto direto com o partido. Depois de expulsas, no entanto, ficam livres para apoiar outro candidato, participar de atos públicos e trabalhar abertamente contra o antigo grupo.
Nesse cenário, o partido perde o filiado, enquanto o adversário ganha um cabo eleitoral com mandato, estrutura, contatos e presença regional. Não é pouca coisa.
A base eleitoral pesa mais que a foto na convenção
Prefeitos dialogam com vereadores, lideranças comunitárias, empresários e servidores todos os dias. Deputados, por sua vez, têm bases organizadas em várias cidades do estado. Numa eleição estadual, esse tipo de apoio costuma valer mais do que fotografia em convenção ou discurso obrigatório de legenda.
Há ainda outro risco. Uma expulsão, afinal, abre espaço para o discurso da perseguição.
O prefeito punido pode alegar retaliação por não seguir a orientação do Palácio Iguaçu. Já o deputado pode se apresentar como vítima de um partido que exige obediência cega. Diante disso, a campanha governista passaria a explicar punições internas, em vez de discutir obras, propostas e resultados de gestão.
Unidade imposta costuma durar pouco
Quando um partido precisa ameaçar os próprios quadros para provar que está unido, a unidade já nasceu sob suspeita. Afinal, apoio político se constrói com convencimento e perspectiva eleitoral real, não com resolução interna. Por isso, uma punição formal não fabrica entusiasmo nem transfere voto de forma automática.
Se a informação de bastidor se confirmar, o PSD precisará medir com cuidado o alcance da estratégia. O partido pode até retirar prefeitos e deputados de sua lista de filiados. Os mandatos, as bases eleitorais e os votos, esses, continuarão com eles.
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