Pagamento retroativo e homenagem a “padrinho” expulso por ligação ao tráfico colocam Tenente Hélio sob novos questionamento
De novo?
Pré-candidato mantém homenagem a Rafael Rodrigues de Andrade, identificado por ele como “padrinho de espadim”. Ao mesmo tempo, registros de remuneração voltam a levantar questionamentos sobre a situação funcional de Hélio Carvalho Martins Filho.
O pré-candidato a deputado estadual pelo Novo, Hélio Carvalho Martins Filho, conhecido como Tenente Hélio, está novamente no centro de questionamentos.
Segundo informação publicada pelo Maringá News, do jornalista Ângelo Rigon, Hélio mantém em suas redes sociais uma homenagem a Rafael Rodrigues de Andrade, ex-policial militar expulso da corporação por envolvimento em um esquema de proteção ao tráfico de drogas em Curitiba, descoberto em 2019.
Na publicação, originalmente compartilhada em dezembro de 2018 e mantida nos “Destaques” de seu perfil, Hélio identifica Rafael como seu “padrinho de espadim”.
A expressão tem significado próprio no meio militar e indica quem apadrinha o formando na cerimônia relacionada ao espadim. A existência da fotografia e da homenagem não significa, por si só, participação de Hélio nos fatos posteriormente atribuídos a Rafael.

Mas o episódio ganha relevância política porque Hélio pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná e constrói sua imagem pública fortemente associada à Polícia Militar e à segurança pública.
A pergunta, portanto, é direta: qual era a relação de Hélio com Rafael Rodrigues de Andrade e por que a homenagem permanece publicamente em seu perfil mesmo depois da expulsão do ex-PM?
Hélio também precisa esclarecer se tinha conhecimento dos fatos que posteriormente resultaram na expulsão de Rafael. Caso não tivesse, basta dizer isso de forma objetiva.
Outra polêmica envolve dinheiro público
A pergunta sobre a homenagem surge no momento em que Hélio já enfrenta outros questionamentos sobre sua situação funcional e pagamentos registrados pelo Governo do Paraná.
Hélio afirmou anteriormente que deixou a Polícia Militar do Paraná e passou para a reserva não remunerada em 27 de março de 2026.
Apesar disso, registros do Portal da Transparência apresentados pelo O Diário de Maringá mostraram pagamentos posteriores.
Agora existe um novo dado.
Na referência JUL/2026, aparecem R$ 13.413,13 em nome de Hélio. Todo o montante está classificado como “Valores Retroativos”.
Não há vencimento registrado naquele mês. Também aparecem R$ 0,00 em adicionais, auxílios e férias ou 13º salário.
A coluna “Redutor/Devoluções” também está zerada.
Isso não permite afirmar que o pagamento seja irregular. Tampouco comprova que Hélio tenha recebido qualquer valor indevidamente.
Mas exige uma explicação objetiva do Estado: retroativo de quê?

Reserva não remunerada, cadastro e pagamentos
As dúvidas aumentam quando os registros são colocados em sequência.
Se Hélio efetivamente passou para a reserva não remunerada em 27 de março, qual foi a origem dos pagamentos posteriores?
Por que surgiu em julho um pagamento de R$ 13.413,13 exclusivamente em valores retroativos?
A qual período corresponde esse dinheiro?
Existe memória de cálculo?
E, caso algum pagamento anterior tenha sido realizado a maior, houve devolução ou procedimento de reposição ao erário?
Outro questionamento permanece: por que Hélio continuou aparecendo como ativo nos registros consultados após a data informada para sua ida à reserva não remunerada?
Pode existir explicação administrativa para cada uma dessas situações. É justamente essa explicação, acompanhada de documentos, que precisa ser apresentada.
Duas controvérsias e uma candidatura
Os assuntos são diferentes e não devem ser artificialmente misturados.
De um lado está a relação pessoal e militar de Hélio com Rafael Rodrigues de Andrade e a homenagem mantida nas redes sociais.
De outro estão sua situação funcional e os pagamentos registrados pelo Estado depois da data informada para sua transferência à reserva não remunerada.
Nenhum desses fatos, isoladamente, permite concluir pela existência de irregularidade praticada por Hélio.
A pergunta que ninguém respondeu: Hélio ainda recebe como tenente enquanto faz política?
Mas ambos envolvem aspectos diretamente relacionados à imagem pública que o pré-candidato apresenta ao eleitor: sua trajetória policial, suas relações dentro da corporação e sua situação funcional perante o Estado.
Por isso, as perguntas são legítimas.
Quem é hoje o Tenente Hélio perante a Polícia Militar do Paraná: militar na reserva não remunerada, servidor ainda ativo no sistema ou alguém cujo cadastro ainda não foi atualizado?
Por que recebeu R$ 13.413,13 em valores retroativos em julho?
E qual é a relação que mantém atualmente com Rafael Rodrigues de Andrade, seu “padrinho de espadim”, posteriormente expulso da Polícia Militar?
Hélio precisa responder
O fato de Rafael ter sido expulso da corporação não transfere automaticamente qualquer responsabilidade a Hélio.
Da mesma maneira, aparecer no Portal da Transparência com pagamentos posteriores à transferência para a reserva não significa automaticamente que houve recebimento indevido.
O papel do jornalismo é separar esses fatos e cobrar as respectivas explicações.
Hélio pode esclarecer quando conheceu Rafael, qual era a natureza da relação entre eles, se mantém contato atualmente e por que a homenagem continua disponível.
Sobre os pagamentos, pode apresentar sua versão e os documentos que demonstrem a origem dos valores.
O Governo do Paraná, por sua vez, deve esclarecer a situação funcional e apresentar a memória de cálculo dos R$ 13.413,13 registrados como retroativos em julho.
Com uma pré-candidatura em andamento, transparência não deveria ser um problema. É a forma mais simples de responder às dúvidas que os próprios registros públicos levantam.

Imagem acima Maringa News



