O Diário de Maringá aciona Câmara, PL e Sergio Moro após ataque ao trabalho de jornalista
Veículo apresentou representação para apuração da conduta da vereadora Giselli Bianchini, pediu a preservação das imagens de segurança e cobrou uma posição pública das lideranças do Partido Liberal
O Diário de Maringá adotou três medidas institucionais após a vereadora Giselli Bianchini, do Partido Liberal, atingir com tapas o celular utilizado pelo jornalista Gilmar Aparecido Laureano Ferreira durante uma cobertura na Câmara Municipal de Maringá.
O episódio ocorreu em 10 de setembro de 2026. Gilmar Ferreira entrevistava o vereador Luiz Neto sobre declarações relacionadas aos profissionais da educação quando Giselli se aproximou e atingiu o equipamento usado na gravação.
Os tapas atingiram o celular, conforme registram os documentos apresentados pelo jornalista. O Diário de Maringá não afirma que houve agressão física direta contra Gilmar Ferreira. A representação descreve uma interferência contra o equipamento e o exercício da atividade jornalística.
Após o episódio, o veículo apresentou uma representação à Mesa Executiva da Câmara, encaminhou o caso ao Diretório Municipal do Partido Liberal e enviou um pedido de manifestação a Sergio Fernando Moro, candidato do PL ao Governo do Paraná.
Representação pede apuração ética na Câmara
A primeira medida foi uma representação e notícia de fato dirigida à Mesa Executiva da Câmara Municipal de Maringá.
O documento pede que a Casa encaminhe o caso à Corregedoria ou ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. A representação cita os artigos 3º, 5º e 24 do Código de Ética e Decoro Parlamentar do Legislativo maringaense.
O Diário também pediu que a Câmara preserve imediatamente as imagens de seu circuito interno. A providência busca evitar que o sistema automático de armazenamento apague registros do momento do episódio.
A representação solicita ainda a análise do vídeo gravado pelo jornalista, de imagens feitas por outras pessoas, dos registros oficiais da atividade legislativa e da ata referente ao dia 10 de setembro.
O documento indica a necessidade de ouvir o vereador Luiz Neto, outras testemunhas, o jornalista e a vereadora Giselli Bianchini.
O pedido não antecipa uma conclusão sobre eventual responsabilidade disciplinar. Ele requer que a Câmara analise as provas, assegure o contraditório à vereadora e determine se houve infração ética ou quebra de decoro.
Caso a apuração confirme alguma irregularidade, o representante pede que o Legislativo adote as providências previstas em suas normas internas.
PL de Maringá recebeu pedido de providências
O Diário de Maringá também encaminhou uma representação ao Diretório Municipal do Partido Liberal e ao deputado estadual Delegado Jacovós.
A medida pede que o partido registre e apure formalmente a conduta atribuída à vereadora. O documento também requer a identificação de testemunhas, a análise das gravações e a abertura do procedimento partidário cabível.
O pedido assegura expressamente o contraditório e a ampla defesa de Giselli Bianchini.
Sismmar repudia fala de vereadora
O veículo solicitou ainda que o PL de Maringá e o deputado Delegado Jacovós se manifestem publicamente sobre o respeito à liberdade de imprensa e ao trabalho dos jornalistas.
Se a investigação partidária confirmar os fatos relatados, a representação pede a aplicação das providências previstas no estatuto e nas normas internas do partido.
Sergio Moro é chamado a se posicionar
A terceira medida foi o envio de uma correspondência institucional a Sergio Fernando Moro.
O Diário de Maringá pediu que o candidato do Partido Liberal ao Governo do Paraná esclareça se considera aceitável que uma representante eleita pelo partido tente interromper uma cobertura ao atingir o equipamento de um jornalista.
A carta também pergunta quais providências Moro pretende adotar e se solicitará formalmente ao PL a apuração da conduta da vereadora.
Outro questionamento trata de um eventual governo estadual comandado pelo candidato. O veículo quer saber qual seria a orientação de Moro aos integrantes da administração diante de críticas, perguntas e coberturas jornalísticas que provoquem discordância.
O Diário informou que publicará integralmente a resposta encaminhada pelo candidato.
Documentos defendem liberdade de imprensa
As três iniciativas citam os artigos 5º e 220 da Constituição Federal. Os dispositivos protegem a livre manifestação, o acesso à informação e o exercício da atividade jornalística.
Os documentos reconhecem que qualquer agente público pode contestar uma reportagem, apresentar esclarecimentos, solicitar correções ou recorrer aos meios legais. No entanto, sustentam que a discordância não autoriza uma interferência física contra o equipamento utilizado em uma cobertura.
O caso ocorreu dentro da sede do Poder Legislativo, ambiente que deve observar os princípios da publicidade e da transparência.
O Diário de Maringá continuará acompanhando os encaminhamentos e publicará as manifestações recebidas, preservando o contraditório e o direito de defesa.



