Antes de votar no candidato do prefeito(a), olhe para a sua rua
Asfalto, saúde, educação e uso do dinheiro público ajudam o eleitor a avaliar se o apoio político merece confiança.
Por Gilmar Ferreira, O Diário de Maringá
Antes de votar no candidato do prefeito da sua cidade, faça uma avaliação do que está ao seu alcance: observe como a administração trata o lugar onde você vive.
Como está o asfalto da sua rua? A iluminação funciona? Quando alguém da família precisa de atendimento médico, consegue consulta, exame e tratamento? As escolas oferecem condições adequadas para alunos e professores?
Essas perguntas ajudam a confrontar o discurso de campanha com a experiência cotidiana da população.
O prefeito tem direito de apoiar candidatos. O eleitor, por sua vez, tem liberdade para avaliar esse apoio e decidir se confia na indicação. Nenhum cargo público transforma preferência política em obrigação para os moradores.
O discurso precisa encontrar respaldo nos resultados
Quando o prefeito afirma que determinado deputado ou governador trouxe recursos para o município, cabe perguntar: quanto veio, para qual finalidade e o que a população recebeu?
Uma placa de obra não responde a tudo. É preciso verificar contratos, pagamentos, prazos e a execução do serviço. Além disso, uma inauguração só cumpre sua finalidade quando a estrutura funciona e atende quem precisa.
Se existem obras inacabadas, a administração deve explicar o motivo. Houve atraso no repasse? Problema com a empresa? Falha no projeto? Cada situação exige documentos e respostas específicas.
Uma obra parada, por si só, não comprova desvio de dinheiro. Entretanto, justifica a cobrança por transparência. O cidadão tem direito de conhecer o destino dos recursos anunciados em seu nome.
Da mesma forma, se o prefeito atribui conquistas ao candidato que apoia, deve apresentar elementos que sustentem essa afirmação. Fotografia ao lado de uma autoridade não substitui prestação de contas.
As prioridades aparecem no orçamento
Também vale observar como a prefeitura trata os servidores. Os salários estão em dia? O município cumpre o piso dos professores? Os fornecedores recebem pelos serviços prestados?
Essas informações ajudam a avaliar a organização da gestão e o respeito aos compromissos assumidos.
Os gastos com festas e shows também merecem análise. Eventos culturais têm seu lugar na cidade, mas a população pode questionar as prioridades quando enfrenta problemas nos serviços essenciais. Para isso, precisa comparar valores, fontes dos recursos e obrigações de cada área.
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A crítica ganha força quando se apoia em documentos. Por isso, consulte o Portal da Transparência, acompanhe a Câmara Municipal e cobre respostas objetivas.
O voto pertence ao eleitor
O apoio de um prefeito pode entrar na avaliação, mas não deve substituir a análise do próprio candidato: suas propostas, seu histórico e suas entregas.
Também é necessário reconhecer a responsabilidade de cada esfera de governo. Nem todo problema municipal depende de um deputado ou governador. Ainda assim, quem apresenta uma parceria como solução precisa explicar seus resultados.
Não adianta reclamar durante quatro anos e, na eleição, dispensar as perguntas que poderiam orientar uma escolha mais consciente.
Antes de aceitar a indicação do prefeito, olhe novamente para a sua rua. O buraco que permanece ali merece uma resposta tão concreta quanto a promessa feita no palanque.



