Ratinho Junior e o caso CredCesta(Master): o que o TCE-PR decidiu hoje

Ratinho Junior e o caso CredCesta(Master): o que o TCE-PR decidiu hoje


Despacho de 30 de setembro de 2026 recebe denúncia sobre o caso CredCesta e manda preservar documentos; peça cita pagamentos do Banco Master a empresas da família do governador.

Por Gilmar Ferreira

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) recebeu uma denúncia sobre o caso CredCesta no governo estadual e determinou a preservação dos documentos relacionados à operação. O conselheiro Fabio de Souza Camargo assinou o despacho nº 1601/26 em 30 de setembro de 2026, no processo nº 567784/26.

A denúncia questiona o credenciamento da operadora do cartão consignado e cita pagamentos do Banco Master a empresas ligadas à família do governador Carlos Roberto Massa Junior, conhecido como Ratinho Junior (PSD).



Entretanto, a decisão não reconhece favorecimento, desvio de dinheiro ou responsabilidade do governador. Camargo ressalta que as circunstâncias apresentadas não permitem, por si só, concluir pela ocorrência das irregularidades apontadas.

O advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande apresentou a denúncia. A cópia consultada não informa a data exata do protocolo. Portanto, 30 de setembro de 2026 é a data do despacho, não uma confirmação do dia em que o advogado apresentou a peça.

Por que o caso CredCesta chegou ao Tribunal

Segundo os documentos descritos pelo relator, a PKL One Participações S.A. abriu uma filial em Curitiba em 19 de agosto de 2021. A denúncia identifica a empresa como operadora do CredCesta, ligado ao Banco Master.

Cinco dias depois, em 24 de agosto, a Resolução nº 12.047/2021 concedeu à empresa um código para descontos em folha de pagamento. O então secretário de Estado da Administração e da Previdência, Marcel Henrique Micheletto, assinou o ato. Micheletto foi eleito prefeito de Assis Chateaubriand pelo PL em 2024.

Em seguida, a Lei Estadual nº 20.740, de 5 de outubro de 2021, reservou 10% da margem consignável para cartão de benefício consignado. O Decreto Estadual nº 9.220, de 28 de outubro daquele ano, regulamentou a modalidade.

Por isso, Casagrande pede que o Tribunal examine a tramitação do credenciamento e eventual benefício decorrente dessa sequência.

Por outro lado, a própria denúncia reconhece que a lei e o decreto não estabeleceram exclusividade formal para a PKL One, o CredCesta ou o Banco Master. A hipótese de benefício na prática depende de apuração sobre as empresas habilitadas e as condições de operação.

Camargo considera que a cronologia justifica aprofundar a análise. Contudo, ressalta que a proximidade entre os atos não comprova, por si só, irregularidade.

Seap afirma que credenciamento levou três meses

Em manifestação à coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (Seap) afirmou que o credenciamento da PKL One levou três meses e seguiu a tramitação habitual.

Assim, a resposta contesta a interpretação de que os cinco dias entre a abertura da filial e a resolução representariam todo o período de análise administrativa.

Além disso, a secretaria informou que uma reserva de 10% já existia desde 2016, vinculada a cartões de crédito. A denúncia questiona especificamente os atos de 2021 relativos ao cartão de benefício consignado.

Denúncia cita pagamentos a empresas da família Massa

Outro ponto do caso CredCesta envolve pagamentos do Banco Master a empresas ligadas à família do governador. Segundo a denúncia, informações fiscais encaminhadas à CPI do Crime Organizado do Senado e divulgadas pela imprensa indicam aproximadamente R$ 21 milhões à Massa Intermediação e Assessoria Empresarial Ltda., entre 2022 e 2025. Também apontam cerca de R$ 3 milhões à Gralha Azul Empreendimentos e Participações Ltda., em 2022.

Além disso, Casagrande menciona um contrato de R$ 1,68 milhão com a Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda. A denúncia descreve quatro parcelas de R$ 420 mil e cita uma parcela em atraso.

A peça aponta Ratinho Junior como sócio da Massa & Massa e pede análise dos serviços que fundamentaram as relações comerciais.

Entretanto, essas informações não equivalem a uma conclusão de que o governador recebeu pessoalmente os valores. O despacho também não estabelece que os pagamentos tiveram origem nos descontos dos servidores ou representaram contrapartida por atos do governo.

Grupo Massa atribui contratos à publicidade

Em manifestação anterior à Gazeta do Povo, o Grupo Massa afirmou que suas receitas incluem campanhas publicitárias e parcerias comerciais declaradas à Receita Federal.

O grupo também esclareceu que Ratinho Junior não integra o quadro societário da Massa Intermediação e da Gralha Azul. Essas são as duas empresas citadas nos pagamentos de aproximadamente R$ 24 milhões.

Sobre a Massa & Massa, a Folha informou que o grupo atribuiu o contrato de R$ 1,68 milhão ao uso da imagem do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, para divulgar o CredCesta. Segundo essa manifestação, atrasos nos pagamentos levaram ao encerramento da relação comercial.

O que a decisão determina no caso CredCesta

Camargo ordenou a preservação integral de documentos e registros sobre o credenciamento e a operação das empresas envolvidas no Paraná, entre 2021 e 2026.

A determinação inclui processos administrativos, comunicações, bases de dados e registros dos sistemas PRconsig/eConsig. Até nova deliberação, os responsáveis pela guarda das informações não podem descartá-las, excluí-las, alterá-las ou expurgá-las.

Além disso, o despacho prevê a citação dos interessados para apresentação de defesas e documentos no prazo de 15 dias. Entre os agentes públicos indicados estão o governador e o então secretário estadual, identificados por iniciais no documento.

A medida tem caráter preventivo. Portanto, não suspende contratos ou descontos consignados e não antecipa uma conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.

Assim, o fato documentado é que o TCE-PR recebeu a denúncia e determinou a conservação dos registros. A análise desses documentos e das defesas deverá esclarecer se houve irregularidade no caso CredCesta.

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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