Ratinho troca o favorito e expõe que sua vontade já não bastava na sucessão

Ratinho troca o favorito e expõe que sua vontade já não bastava na sucessão

O nome preferido não resistiu ao teste da viabilidade

Ratinho Junior e a sucessão no Paraná deixaram de ser um exercício de autoridade para virar uma aula pública sobre limite político. Durante semanas, Guto Silva circulou como o nome mais associado à preferência pessoal do governador. Além disso, a própria cobertura dos bastidores registrou que Guto perdeu força nas últimas semanas, embora continuasse ligado ao desejo inicial de Ratinho.

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Só que política séria não se move por desejo. Ela se move por viabilidade. E foi justamente aí que o roteiro de Ratinho começou a desmontar. Na noite de 13 de abril de 2026, Ratinho Junior escolheu Sandro Alex como candidato à sua sucessão no governo do Paraná. Portanto, a história já não pode ser contada como se tudo tivesse seguido um plano linear. Se Guto era o nome mais associado ao governador e Sandro terminou escolhido, então houve mudança de rota. E mudança de rota, nesse contexto, não tem cheiro de força absoluta. Tem cheiro de recuo diante da realidade política.

As pesquisas já gritavam antes da decisão

A ironia é evidente. Durante meses, venderam a imagem de um governador capaz de apontar o sucessor com um gesto e transferir capital político como quem transfere cargo em organograma. No entanto, quando o teste da realidade chegou, o preferido não conseguiu se impor. A pesquisa divulgada em 13 de abril mostrou Guto Silva com apenas 0,5% no cenário espontâneo e com 3,6% e 5,9% em cenários estimulados. Além disso, 72,9% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.

E esse problema, aliás, não nasceu ontem. Em março, Guto já aparecia com apenas 0,9% no espontâneo e oscilava entre 4,3%, 4,5% e 5,5% nos cenários estimulados. Ou seja, o alerta não surgiu no momento da escolha. Pelo contrário, ele já vinha sendo emitido havia semanas, sem que o nome mais ligado ao governador conseguisse ganhar densidade eleitoral.

A escolha de Sandro Alex não apaga a derrota anterior

Por isso, a versão de que Ratinho simplesmente “escolheu” Sandro Alex por ampla liberdade política parece incompleta. Quem escolhe com poder absoluto sustenta sua preferência até o fim. Quem muda o rumo depois de semanas de desgaste, divisão e desempenho fraco do favorito não demonstra comando pleno. Demonstra adaptação forçada. Essa leitura ganha ainda mais força porque a própria Gazeta do Povo registrou que Guto Silva perdeu espaço, apesar da preferência pessoal do governador.

Sandro Alex, portanto, não surge apenas como candidato. Ele surge como a solução encontrada depois que o plano anterior mostrou sinais de inviabilidade. Isso não diminui seu peso político nem sua trajetória. Sandro é deputado federal, foi secretário de Infraestrutura e Logística e filiado ao PSD. Ainda assim, a cronologia política enfraquece o discurso de escolha soberana desde o começo. Primeiro veio a predileção por Guto. Depois vieram os ruídos. Em seguida, apareceram os números fracos. Por último, veio Sandro. A ordem dos fatos fala por si.

Aprovação alta não significou transferência automática de votos

É aí que a propaganda perde para os fatos. Ratinho pode continuar forte como figura política. Pode manter alta aprovação administrativa. De fato, a pesquisa de abril registrou 83,8% de aprovação ao seu governo. Mas uma coisa ficou mais visível no Paraná: aprovação de governo não garante transferência automática de votos para o nome preferido do grupo. O eleitor distingue máquina, marketing e nome de urna. E, quando essa diferença aparece, o governador deixa de parecer um condutor absoluto do processo e passa a parecer alguém tentando evitar que o próprio projeto saia menor do que entrou.

Além disso, a própria necessidade de ajustar o nome da sucessão mostra que popularidade administrativa e capacidade de impor candidatura não são a mesma coisa. Ratinho segue influente. No entanto, a sucessão de 2026 revelou que sua vontade, sozinha, não bastou para transformar Guto Silva em candidatura competitiva. Por isso, Sandro Alex acabou entrando como alternativa viável para preservar o grupo no jogo. Essa é a leitura política que os fatos autorizam.

No fim, o anúncio revelou mais do que tentou esconder

No fim, Sandro Alex não aparece apenas como o nome do grupo. Ele aparece também como a confissão silenciosa de que o plano anterior não se sustentou. E isso explica por que o discurso oficial tenta vender como escolha estratégica aquilo que, politicamente, soa muito mais como necessidade.

Quando um líder precisa trocar o nome mais ventilado para salvar a viabilidade do próprio campo, ele não impõe uma vontade. Ele administra uma derrota interna. O resto é embalagem. E embalagem, no Paraná de 2026, já não está bastando.

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Para finalizar, a escolha de Sandro Alex está longe de ser recebida como uma solução de consenso. Pelo contrário, segundo relatos de bastidores obtidos por nossa redação, a troca de Guto Silva por Sandro Alex provocou desconforto visível em grupos de WhatsApp de aliados de Ratinho Junior. O incômodo reservado combina com o cenário público que já apontava ruídos, temor na base e dificuldade de fechar a sucessão sem desgaste. Por isso, Sandro Alex não entra como “bala de prata” de um plano impecável. Entra como a saída possível depois que o roteiro inicial perdeu sustentação. E, nesse processo, Ratinho Junior também sai politicamente menor, porque a sucessão mostrou que sua vontade não bastou e que nem fazendo chantagem com deputados e prefeitos conseguiu manter de pé o nome que mais se associava ao seu projeto.

Redação O Diário de Maringá

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