Se há dinheiro em caixa, por que Ratinho Junior quer novos empréstimos em dólar?
O governador Ratinho Junior enviou à Assembleia Legislativa do Paraná dois projetos de lei para contratar até US$ 150 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento. A iniciativa levanta uma questão difícil de ignorar: se o Paraná apresenta superávit, arrecadação crescente e capacidade de investimento, por que o governo busca mais dinheiro emprestado no exterior?
A dúvida ganha força porque o próprio governo utiliza frequentemente o discurso de equilíbrio fiscal para destacar os resultados da gestão. Além disso, o Paraná costuma aparecer entre os estados com melhor desempenho financeiro do país. Portanto, a decisão de ampliar o endividamento merece uma análise mais aprofundada.
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Governo destaca solidez financeira
Nos últimos anos, a gestão de Ratinho Junior construiu uma narrativa baseada em responsabilidade fiscal, aumento de receitas e investimentos públicos.
Segundo o governo, o Paraná possui condições financeiras sólidas e mantém capacidade para realizar obras e programas estratégicos. Além disso, a administração estadual frequentemente divulga indicadores que reforçam essa imagem.
Por isso, o envio dos projetos chamou a atenção de especialistas e observadores da política estadual. Afinal, governos que possuem recursos disponíveis normalmente financiam seus investimentos com receitas próprias.
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Dois empréstimos, uma mesma discussão
O primeiro projeto autoriza a contratação de até US$ 100 milhões para fortalecer o Fundo Estratégico do Estado e ampliar investimentos.
Já o segundo permite captar até US$ 50 milhões para o Programa Paraná Empreendedor. Nesse caso, a Fomento Paraná utilizará os recursos para financiar micro, pequenas e médias empresas. Além disso, parte da iniciativa pretende incentivar o empreendedorismo feminino por meio do Banco da Mulher Paranaense.
Sem dúvida, os objetivos possuem relevância econômica. Entretanto, a principal discussão não envolve a finalidade dos recursos. O debate gira em torno da necessidade do empréstimo.
Se existe superávit, por que recorrer ao crédito internacional?
Se há capacidade financeira, por que assumir novas obrigações para os próximos anos?
O dólar pode aumentar a conta
Outro fator merece atenção.
Os contratos serão firmados em dólar. Embora organismos internacionais geralmente ofereçam juros mais baixos, a variação cambial pode elevar significativamente o custo da operação.
Hoje, os números podem parecer vantajosos. Contudo, uma valorização da moeda americana poderá aumentar o peso da dívida para os cofres estaduais.
Além disso, futuras administrações precisarão administrar esses compromissos financeiros. Consequentemente, o impacto das decisões atuais ultrapassa o mandato do governo que contrata os empréstimos.
Assembleia precisa cobrar explicações
Agora, a responsabilidade passa para os deputados estaduais.
Mais do que aprovar os projetos, os parlamentares precisam questionar a real necessidade das operações. Também devem exigir explicações detalhadas sobre os benefícios esperados e os riscos envolvidos.
Da mesma forma, a população tem o direito de entender por que um governo que divulga resultados fiscais positivos considera necessário buscar US$ 150 milhões em financiamentos internacionais.
O debate não deve se limitar aos valores dos contratos. Na verdade, a discussão envolve coerência administrativa e transparência.
Se o Paraná realmente possui uma situação fiscal confortável, o governo precisa explicar por que opta por aumentar a dívida externa. Caso contrário, permanecerá uma pergunta que tende a ganhar força durante a tramitação dos projetos: o superávit divulgado pelo governo é suficiente para sustentar os investimentos planejados ou o caixa estadual depende mais de empréstimos do que o discurso oficial admite?
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