O agro brasileiro precisa de menos palanque e mais comparação séria
Durante o governo Bolsonaro, o agronegócio recebeu forte apoio político e simbólico. O ex-presidente falou diretamente com o setor, participou de eventos rurais e transformou o agro em base eleitoral. No entanto, quando a comparação sai do discurso e entra nos números do Plano Safra, o governo Lula aparece com vantagem importante.
No governo Bolsonaro, o Plano Safra saiu de R$ 225,59 bilhões em 2019/2020 para R$ 340,88 bilhões em 2022/2023. Portanto, houve crescimento nominal de 51,1%. No mesmo período, a inflação acumulada pelo IPCA ficou em cerca de 27,2%. Assim, o ganho real aproximado foi de 18,8%.
Já no governo Lula, o Plano Safra passou de R$ 435,9 bilhões em 2023/2024 para aproximadamente R$ 622,4 bilhões em 2026/2027, somando agricultura empresarial e agricultura familiar. Com isso, o crescimento nominal chegou a 42,8%. Considerando inflação aproximada de 17,8% no período, o ganho real fica perto de 21,2%.
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Lula colocou mais dinheiro no agro
A diferença mais forte aparece no volume total. Bolsonaro terminou o mandato com um Plano Safra de R$ 340,88 bilhões. Lula, por sua vez, chegou a mais de R$ 622 bilhões no Plano Safra 2026/2027. Ou seja, o governo Lula colocou cerca de R$ 281 bilhões a mais em crédito rural do que o último plano lançado por Bolsonaro.
Além disso, Lula ampliou o peso da agricultura familiar. No último Plano Safra de Bolsonaro, o Pronaf recebeu R$ 53,61 bilhões. No Plano Safra 2026/2027, a agricultura familiar soma mais de R$ 97 bilhões, sendo R$ 85,2 bilhões pelo Pronaf.

O discurso de Bolsonaro foi mais forte que a entrega
Bolsonaro teve identificação política com grande parte do campo. Porém, essa identificação não significa, automaticamente, maior entrega financeira. Ele cresceu o Plano Safra acima da inflação, mas Lula também fez isso e chegou a um volume absoluto muito maior.
Portanto, a tese de que Lula é contra o agro não resiste aos números. O setor pode criticar juros, burocracia e custo de produção, mas não pode ignorar que o crédito rural bateu recorde no atual governo.
O agro brasileiro precisa de menos palanque e mais comparação séria. Bolsonaro tentou vender a ideia de que o campo tinha dono político. Lula, mesmo enfrentando resistência de parte dos produtores, mostrou que governo também se mede por orçamento, crédito e política pública.
Nesse ponto, os dados são claros: Bolsonaro falou mais para o agro; Lula colocou mais dinheiro no Plano Safra.
Isso não torna Lula imune a críticas. O produtor ainda reclama de juros altos, seguro rural insuficiente e dificuldade de acesso ao crédito. Porém, chamar Lula de inimigo do agro virou mais slogan eleitoral do que análise econômica.
O campo não vive de camiseta, live ou discurso ideológico. Vive de financiamento, mercado, logística, tecnologia e estabilidade. E, na comparação dos Planos Safra, Lula tem números para dizer: também sou agro.
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