Se não tem coragem de cobrar o prefeito, por que disputar uma cadeira na Câmara?

Se não tem coragem de cobrar o prefeito, por que disputar uma cadeira na Câmara?


O servidor público tem todo o direito de votar, ser votado e disputar uma eleição. Esse direito não entra em debate. O problema surge depois da vitória nas urnas, quando o servidor assume uma cadeira no Legislativo e continua ligado à Prefeitura que deveria fiscalizar.

O conflito começa dentro da própria máquina pública

Em cidades menores, essa situação pesa ainda mais. O vereador servidor conhece chefias, depende da estrutura administrativa e convive com decisões internas da gestão municipal.

Com isso, a fiscalização perde força. O vereador sabe que precisa cobrar o Executivo, mas também sabe que o prefeito ou a prefeita continua no comando da máquina onde ele trabalha.

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“Não posso ficar contra a patroa”

Não faz muito tempo, um vereador da região, que também era servidor público, resumiu bem esse problema. Ao justificar sua postura, ele dizia que não podia ficar contra a “patroa”, no caso, a prefeita.

O resultado não foi bom. Ele se envolveu em problemas jurídicos, gastou um valor equivalente a um carro zero com honorários de advogado e ainda não conseguiu se reeleger.

Ou seja, pagou caro por tratar a prefeita como chefe, e não como autoridade que deveria fiscalizar em nome da população.

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Quem elege o vereador é o povo

O eleitor não escolhe um vereador para obedecer ao prefeito. O eleitor escolhe um vereador para fiscalizar, cobrar, propor leis e defender o interesse público.

Por isso, quando o vereador servidor se cala por medo de desagradar a administração, ele trai a principal função do mandato.

Além disso, existe outro risco grave. Servidores que atendem diretamente a população podem usar o cargo público como ferramenta política. Isso desequilibra a disputa eleitoral e mistura serviço público com projeto pessoal de poder.

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Afastamento precisa entrar no debate

A lei hoje permite a acumulação do mandato de vereador com o cargo público quando existe compatibilidade de horários. Porém, a discussão precisa ir além da agenda.

O ponto central não é apenas o horário. O ponto central é a independência.

Por isso, está na hora de discutir o afastamento obrigatório do servidor público eleito vereador durante todo o mandato. Ele deveria exercer apenas o cargo para o qual recebeu voto.

Não é perseguição ao servidor

Essa proposta não discrimina servidor público. Pelo contrário, protege o servidor, protege o Legislativo e protege a população.

Servidor pode disputar eleição. Pode pedir voto. Pode vencer. Mas, depois de eleito, precisa escolher o mandato com independência.

Quem fiscaliza o prefeito não pode depender politicamente, funcionalmente ou administrativamente da Prefeitura. Caso contrário, o vereador vira refém do Executivo, e quem paga a conta é o povo.

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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