Energia elétrica puxa aumento na prévia de inflação de julho
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, apontou para uma redução em comparação com o mês de junho. Em julho, o resultado foi de 0,06%, enquanto o mês anterior havia atingido o patamar de 0,41%. A queda, no entanto, contrasta com a alta no setor de habitação, sendo puxado pela energia elétrica.
No grupo de habitação, a energia elétrica subiu 3,03%, representando um impacto de 0,15 p.p na pesquisa. O percentual é o mesmo obtido pelo grupo de alimentação e bebidas, que, no entanto, registrou queda de 1,14% em relação ao mês anterior.
Segundo o IBGE, dois fatores influenciaram o aumento. "Além da vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 Kwh consumidos, a alta reflete a incorporação dos seguintes reajustes tarifário: 19,55% em Curitiba (12,85%), com vigência desde 24 de junho; 14,89% em uma das concessionárias em Porto Alegre (5,05%) desde 19 de junho; 8,85% em uma das concessionárias em São Paulo (2,65%) vigente desde 04 de julho e 5,21% em Belo Horizonte (1,37%), a partir de 28 de maio", aponta o instituto.
Para Augusto Andrade, engenheiro da Solare Energie, empresa que oferece descontos na conta de luz por meio de usinas solares, a energia fotovoltaica vem se tornando, cada vez mais, uma alternativa para economizar na fatura diante dos aumentos de energia elétrica no país. "Diante do tempo seco, poucas chuvas e, também, os impactos indiretos das guerras no Oriente Médio, a população está procurando formas de economizar com as contas do dia a dia. E a conta de luz é uma delas", diz.
Augusto também destaca que a energia solar é uma opção vantajosa no Brasil, já que sofre menos com os impactos do sistema elétrico e bandeiras tarifárias. "A energia solar é como se fosse uma ‘proteção’ contra diversos problemas que acontecem para consumidores comuns. E muitas pessoas já estão notando isso", afirma.
Impactos futuros
As guerras crescentes no Oriente Médio, mesmo que distantes do Brasil, também podem ser um fator a interferir no sistema elétrico brasileiro. No dia 22 de julho, o Ministério de Minas e Energia divulgou um comunicado em que anuncia a aprovação de medidas por parte do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para reforçar a segurança do "atendimento eletroenergético diante da elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño do segundo semestre de 2026, e das incertezas do atual cenário geopolítico que pode impactar nos preços dos combustíveis", afirmam.
O cenário internacional afeta o Brasil, de forma indireta, por meio da oscilação dos preços, como é o caso do petróleo. "Os óleos combustíveis (OC) são utilizados tanto no aquecimento de fornos e geração de vapor em caldeiras, como também em motores que movimentam turbinas geradoras em usinas termelétricas (UTEs)", explica a Petrobras.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a "presença de usinas termelétricas no portfólio de geração do SIN é um fator estratégico para o setor elétrico brasileiro. Dada a relevância da participação de fontes hídricas na geração de energia elétrica no Brasil, as termelétricas têm atuado significativamente em períodos de escassez hidrológica", explicam.
Mesmo com o acionamento das termelétricas, Andrade explica que o impacto para o consumidor que faz uso da energia solar por geração distribuída é mínimo, e que "diante desse cenário, a busca por fontes alternativas de energia deve continuar crescendo no país, à medida que o custo da energia elétrica convencional segue pressionado por fatores climáticos e geopolíticos", afirma o engenheiro da Solare Energie.




