Escândalo no Miss Universe Brasil: supostos áudios envolvendo supostos sócios de Ratinho citam R$ 1 milhão, Top 3 e ataques a candidatas
Gravações trazem suposta conversa com pessoa chamada “Rodrigo” sobre Top 3, valores milionários e oferta de R$ 1 milhão pelo primeiro lugar. Rodrigo e Patrick Ferro atuam no Paraná e já mantiveram negócios com o apresentador Ratinho
Áudios publicados no YouTube levantam questionamentos sobre uma possível tentativa de interferência em concurso de beleza relacionado ao Miss Universe Brasil. Na conversa, uma pessoa chama o interlocutor várias vezes de “Rodrigo”. A mesma voz fala sobre garantir uma candidata no “Top 3”, pergunta quanto custaria ganhar e oferece R$ 1 milhão em dinheiro pelo primeiro lugar.
O nome chama atenção porque Rodrigo Ferro preside o Miss Universe Brasil. Ele comandou a edição nacional de 2026, que reuniu 31 candidatas e passou pelas etapas Top 20, Top 12, Top 6 e Top 3 antes da escolha da vencedora.
Entretanto, O Diário de Maringá não realizou perícia técnica nos arquivos. Portanto, a reportagem não pode confirmar, neste momento, a identidade das vozes, a data da conversa ou a integridade das gravações.
Suposta conversa menciona “Rodrigo”
A própria gravação apresenta um dos principais elementos da apuração.
Em diferentes momentos, uma voz chama o interlocutor pelo nome de Rodrigo.
Em determinado trecho, afirma:
“Rodrigo. Não é por ela, é por mim.”
Depois, volta a usar o nome:
“Tô falando sério, Rodrigo. Você me conhece.”
Rodrigo Ferro ocupa a presidência do Miss Universe Brasil. Contudo, a menção ao primeiro nome não comprova que ele seja o interlocutor.
Para confirmar essa identidade, uma análise técnica teria de comparar a voz com outros registros. O próprio envolvido também pode reconhecer ou negar participação na conversa.
Por isso, O Diário de Maringá trata o conteúdo como suposta conversa com uma pessoa chamada “Rodrigo”.
“Top três é quanto custa ganhar?”
Outro trecho chama atenção pelas referências à classificação do concurso.
Uma das vozes insiste que teria combinado uma vaga entre as três primeiras colocadas.
Em determinado momento, pergunta:
“Top três é quanto custa ganhar?”
Logo depois, afirma:
“Tá bom, então tá bom. Vou te pagar. Primeiro lugar é meu. Combinado.”
Além disso, a expressão “Top 3” aparece várias vezes durante a conversa.
A voz diz:
“Nós estamos combinando top três.”
Em outro momento, reforça:
“Eu combinei com você top três.”
A referência chama atenção porque o Miss Universe Brasil 2026 teve um Top 3 antes da definição da vencedora.
Ainda assim, isso não comprova que a gravação trate da edição de 2026. A data e o contexto da conversa precisam ser confirmados.
Voz oferece R$ 1 milhão pelo primeiro lugar
A conversa avança e passa a tratar diretamente de dinheiro.
Por volta dos cinco minutos, uma das vozes afirma:
“Até 1 milhão, primeiro lugar é meu, tá bom? Eu te dou R$ 1 milhão em dinheiro.”
Depois, acrescenta:
“Tô falando sério, eu quero ganhar.”
Outro trecho menciona R$ 3 milhões.
Apesar da gravidade das declarações, o áudio não comprova que alguém tenha efetuado qualquer pagamento.
Até agora, O Diário de Maringá não recebeu prova de que R$ 1 milhão tenha mudado de mãos. Também não há comprovação de que Rodrigo Ferro tenha recebido ou aceitado dinheiro.
Da mesma forma, não há prova de que alguém tenha alterado o resultado de qualquer concurso mediante pagamento.
O áudio registra uma suposta oferta. Esse é o fato que precisa de esclarecimento.
Auditoria e voto aberto entram na conversa
Logo no início, uma das vozes demonstra preocupação com auditoria e transparência na votação.
O interlocutor afirma:
“Aí vai ter auditoria, cara. Vai ser voto aberto.”
Depois, a conversa passa para uma suposta votação popular.
Uma voz menciona uma participante chamada Renata. Segundo o interlocutor, ela teria arrecadado R$ 270 mil em São Paulo no ano anterior.
Na sequência, aparecem projeções de valores milionários ligados ao voto popular.
Porém, o áudio não esclarece qual plataforma os interlocutores discutiam. Também não informa quem administraria os recursos ou qual edição do concurso adotaria esse modelo.
Voz fala em contratar pessoas para atacar concorrentes
A gravação também contém declarações sobre uma suposta estratégia nas redes sociais.
Uma das vozes afirma:
“Eu já tenho 10 […] todos eles contratados por mim.”
Depois, o interlocutor diz que quatro pessoas já estariam alinhadas e outras seis continuariam em negociação.
A voz também calcula um gasto de aproximadamente R$ 50 mil.
Em seguida, afirma:
“Vai falar muito mal de quem eu quiser.”
A conversa passa, então, a citar candidatas específicas.
Em um dos casos, a voz afirma:
“Já estamos detonando ela.”
Além disso, o interlocutor faz acusações sobre a vida pessoal de outra participante.
O Diário de Maringá não apresenta essas acusações como fatos. A reportagem não recebeu documentos ou outros elementos que comprovem as afirmações contra as candidatas.
O ponto que merece apuração é a declaração de que alguém teria contratado pessoas para atacar concorrentes.
Até agora, porém, não há comprovação independente de que essa estrutura tenha existido.
Cocaína e exame toxicológico também aparecem
Outro trecho menciona drogas e um possível exame toxicológico.
Uma das vozes recomenda:
“Não tenta fazer esse exame.”
Depois, a conversa traz referências a cocaína e bebidas. Em determinado momento, um dos interlocutores menciona a possibilidade de o evento ficar conhecido como “concurso da cocaína”.
Novamente, é necessário separar declaração de fato comprovado.
Não há prova apresentada junto aos áudios de que alguém tenha colocado drogas em bebidas ou alimentos das participantes.
Da mesma forma, a reportagem não recebeu laudo ou documento que confirme episódio dessa natureza.
Áudio contém fala de teor racial e depreciativo
Em outro trecho, por volta de 5 minutos e 56 segundos, um dos interlocutores faz referência à cor e à aparência de candidatas. Ele afirma: “A outra lá é tudo umas pretinha, moreninha. Lá feia pra caralho.”
A declaração associa as expressões “pretinha” e “moreninha” a uma avaliação depreciativa sobre a aparência das participantes. O conteúdo pode levantar questionamentos sobre possível caráter discriminatório, cuja eventual caracterização jurídica depende da análise das autoridades competentes.
Quem é Rodrigo Ferro?
Rodrigo Ferro é empresário e presidente do Miss Universe Brasil.
Ele esteve à frente da edição nacional de 2026 e falou publicamente sobre mudanças no formato da competição. O concurso também passou a contar com representantes de rotas turísticas brasileiras.
Rodrigo atua ainda em negócios no Paraná ao lado do irmão, Patrick Ferro.
Essa posição no comando do Miss Universe Brasil torna necessária uma resposta objetiva sobre os áudios: Rodrigo Ferro é o “Rodrigo” da conversa ou não?
Até que surja confirmação técnica ou manifestação do empresário, a reportagem não pode responder essa pergunta como fato.
Quem é Patrick Ferro e o que ele faz no Paraná?
Patrick Ferro é empresário e irmão de Rodrigo Ferro.
Ele atua principalmente nos setores imobiliário, turístico e de hotelaria no Paraná.
Patrick apareceu publicamente como presidente do Grupo SM, que tinha a CA2A como braço imobiliário. A empresa desenvolveu atividades relacionadas a resorts e empreendimentos imobiliários.
Patrick e Rodrigo também aparecem ligados ao Tayayá Porto Rico Residence & Resort, no Noroeste do Paraná.
Além disso, os irmãos mantêm relação empresarial com o Morro dos Anjos Hotel Resort, em Bandeirantes.
Reportagens publicadas em 2026 apontaram Patrick e Rodrigo Ferro como principais donos do complexo Tayayá Porto Rico e registraram investimentos dos empresários em outros empreendimentos no Paraná.
Portanto, Patrick não aparece neste caso apenas por ser irmão do presidente do Miss Universe Brasil. Ele possui atuação empresarial própria e conjunta com Rodrigo no Estado.
Qual é a ligação dos irmãos Ferro com Ratinho?
Os irmãos Ferro também mantiveram uma relação empresarial com o apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho.
Em 2023, publicações apresentaram Patrick Ferro, Rodrigo Ferro e Ratinho como sócios do Tayayá Porto Rico Residence & Resort.
Em outubro daquele ano, os três participaram do lançamento de uma nova fase do empreendimento no Eurogarden, em Maringá. Na ocasião, publicações locais apresentaram Ratinho como parceiro dos irmãos no negócio.

Governador do Paraná, Ratinho Junior (à dir.), ao lado do empresário Rodrigo Ferro, à frente do resort Tayayá Porto Rico (Foto: Reprodução/Rede Social)
Posteriormente, outra publicação voltou a apresentar Patrick e Rodrigo como empresários e Ratinho como “o sócio” durante evento no Tayayá Porto Rico.
O GMC Online também informou, em 2023, que Patrick e Rodrigo Ferro controlavam a CA2A e eram acionistas do Tayayá. Na reportagem, o veículo descreveu Ratinho como “amigo e sócio dos irmãos Ferro”.
A situação, contudo, mudou posteriormente.
Grupo da família Massa deixou projeto em 2024
Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 2026 trouxe uma atualização importante.
Segundo o jornal, a Gralha Azul, empresa ligada à família Massa, deixou o projeto do Tayayá Porto Rico em 2024.
Assim, a formulação correta é que Ratinho já manteve relação empresarial e apareceu publicamente como sócio dos irmãos Ferro no Tayayá Porto Rico.
Sem documentação societária atual que demonstre o contrário, não se deve afirmar que Ratinho continua sócio dos irmãos.
Essa distinção também evita misturar uma antiga relação empresarial com os questionamentos levantados pelos áudios.
Ratinho também teve relação comercial com o Morro dos Anjos
O nome de Ratinho também aparece relacionado ao Morro dos Anjos, empreendimento dos irmãos Ferro em Bandeirantes.
Nesse caso, entretanto, existe uma diferença importante.
A Folha de S.Paulo informou inicialmente uma relação societária. Depois, o jornal corrigiu a informação.
Segundo o Grupo Massa, não existiu sociedade no Morro dos Anjos. A empresa afirmou que Ratinho cedeu sua imagem para divulgação do empreendimento entre agosto de 2021 e julho de 2024. O acordo também envolveu publicidade na Rede Massa e na Massa FM.
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Há, porém, uma divergência registrada pela própria reportagem.
Segundo a Folha, Ratinho afirmou em um podcast gravado em junho de 2025 que era sócio do resort de Bandeirantes. Posteriormente, sua assessoria informou ao jornal que houve apenas relação comercial.
Portanto, O Diário de Maringá não apresenta Ratinho como sócio do Morro dos Anjos.
Ratinho não aparece nos áudios
Esse ponto precisa ficar claro.
Não há, no material analisado pelo O Diário de Maringá, qualquer elemento que indique participação de Ratinho na suposta conversa sobre Top 3, pagamento de R$ 1 milhão ou ataques contra candidatas.
O nome do apresentador aparece nesta reportagem exclusivamente porque existe um histórico empresarial documentado entre ele e os irmãos Patrick e Rodrigo Ferro.
Também não se deve confundir Carlos Roberto Massa, o Ratinho, com seu filho, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior.
As fontes citadas nesta reportagem tratam da relação empresarial com o apresentador Ratinho.
Suposta relação de Patrick Ferro com candidata precisa de confirmação
Outra informação que circula aponta uma suposta relação amorosa entre Patrick Ferro e uma candidata ligada ao Paraná.
Até o momento, O Diário de Maringá não obteve confirmação independente suficiente para apresentar essa informação como fato.
Por isso, o relacionamento permanece sob apuração.
Caso as partes confirmem a relação, ainda será necessário esclarecer qual candidata participou do concurso e se Patrick exercia alguma função ou influência sobre a competição.
Mesmo um eventual relacionamento, sozinho, não comprovaria favorecimento ou manipulação de resultado.
Quem são as vozes dos áudios?
Essa é uma das principais perguntas ainda sem resposta.
Durante a conversa, uma pessoa chama o interlocutor diversas vezes de “Rodrigo”.
Como Rodrigo Ferro preside o Miss Universe Brasil, a coincidência justifica a apuração. Porém, ela não comprova a identidade da voz.
Além disso, a reportagem ainda precisa identificar o outro interlocutor.
A transcrição não permite afirmar que a outra voz seja de Patrick Ferro.
Uma conclusão segura exige análise do arquivo original, comparação técnica das vozes e manifestação dos envolvidos.
Áudio no YouTube não significa áudio autenticado
A publicação das gravações no YouTube permite que qualquer pessoa tenha acesso ao conteúdo. Entretanto, isso não comprova a autenticidade dos arquivos.
Uma perícia precisa verificar possíveis cortes, edições e a sequência temporal da conversa.
Além disso, a data da gravação precisa ser determinada.
Somente depois disso será possível estabelecer com maior segurança qual concurso os interlocutores discutiam e se a conversa possui relação com a edição de 2026.
Rodrigo e Patrick Ferro precisam esclarecer os fatos
Diante do conteúdo, Rodrigo Ferro precisa esclarecer se participou da conversa e se reconhece a voz atribuída a ele.
Também precisa explicar quem seria o outro interlocutor, qual concurso estava em discussão e o significado das referências ao Top 3.
Além disso, cabe esclarecer se alguém lhe ofereceu dinheiro para garantir classificação ou vitória de candidata e se houve a proposta de R$ 1 milhão mencionada na gravação.
Patrick Ferro, por sua vez, precisa esclarecer se participa de algum dos áudios e qual função exerce atualmente no universo dos concursos de beleza.
Também cabe a ele responder sobre a suposta relação com uma candidata e sobre sua atuação empresarial ao lado do irmão.
Até que os envolvidos apresentem suas versões e uma análise técnica esclareça a origem das gravações, não é possível afirmar que houve fraude, compra de resultado ou manipulação do Miss Universe Brasil.
O fato verificável, neste momento, é a existência de áudios publicados no YouTube. Neles, uma pessoa chamada de “Rodrigo” participa de uma conversa que menciona Top 3, primeiro lugar, R$ 3 milhões, oferta de R$ 1 milhão, voto popular e suposta contratação de pessoas para atacar concorrentes.
Agora, a identificação das vozes, a data da conversa e o contexto das declarações são os pontos centrais da apuração.



